O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/05/2020

Publicada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, quando aplicado ao âmbito da saúde emocional de mulheres que se inserem em um contexto de estímulos estéticos impostos pela mídia de forma padronizada, tal conceito não se mostra devidamente aplicado. Nessa perspectiva, é necessário um olhar mais cauteloso em relação aos conteúdos e à forma como os mesmos são expostos a esse público.

Em primeiro lugar, pode-se atribuir um aparcela do problema à maneira como a mídia - tanto nacional, como estrangeira – vende para o público feminino uma ideia abstrata de felicidade que pode ser atingida pelo preenchimento de um determinado padrão estético. De acordo com a pesquisa realizada pela Eldeman Inteligence e divulgada pelo site Abril M de Mulher, no ano de 2016, é possível constatar que 83% das mulheres (sendo 4000 entrevistadas) se sentiam pressionadas a atingir uma definição pré-estabelecida de beleza. Dentro desta realidade, é inadmissível que a situação continue negligenciada.

Em segundo lugar, não é mais viável ignorar os vastos danos à saúde física e emocional que a incitação de tal comportamento tem gerado à população, uma vez que os casos de bulimia, anorexia e até mesmo depressão oriundos do não preenchimento desse tão desejado padrão de beleza, vêm se tornando cada vez mais frequentes. Seguindo a máxima do autor russo Lev Vygotsky de que o ambiente modifica o ser, é compreensível a forma como esses estímulos são prejudiciais quando perpetuados em veículos de comunicação. Sendo assim, é de suma importância que tais conceitos sejam revistos.

Em virtude dos fatos mencionados, é vero que medidas precisam ser tomadas. Cabe à Secretaria da Cultura, junto ao Ministério da Cidadania, por meio de um projeto de conscientização, entrar em parceria com marcas destinadas ao público feminino e desenvolver conteúdos mais pautamos na representatividade de todas as formas de beleza, a fim de criar uma maior identificação, sem expor um padrão único como o correto a ser seguido. Dessa forma, pretende-se criar um ambiente mais saudável e menos prejudicial ao desenvolvimento emocional das mulheres.