O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/06/2020

No filme “A pequena Miss Sunshine” a protagonista, uma criança de 7 anos de idade, se encontra em um dilema: emagrecer ou ser ela mesma para vencer de um concurso de beleza. A personagem principal se julga incapaz de ganhar, pois seu corpo não se adequa ao padrão ideal, o qual a sociedade impõe, seja através da televisão ou da internet, influenciando pessoas e moldando a identidade dos mais jovens. Dessa maneira, torna-se relevante o culto a beleza idealizada, que cada vez mais afetam a vida cotidiana de brasileiros, tendo como consequências doenças e problemas de autoestima refletidos na vida adulta.

Em primeiro plano, a vida em sociedade está atrelada a cultura de um povo, segundo o sociólogo francês, Émile Durkheim, as pessoas se mantém em sociedade devido a um conjunto de regras, comportamentos e valores que são parte da consciência coletiva e tornam-se referência para atitudes dos indivíduos, normalizando a vida social. Analogamente, observa-se que os padrões de beleza idealizados socialmente atuam de forma impositora sobre os seres humanos, os quais são amplamente divulgados através dos meios de comunicação e influenciam, sobretudo as mulheres, as quais buscam obsessivamente uma beleza inatingível, por meio de dietas e exercícios rígidos que comprometem a sua saúde física e mental.

Ademais, é imperativo pontuar que a insatisfação com o próprio corpo e o desenvolvimento de doenças psicopatologias, como distúrbios alimentares, bulimia e depressão estão atreladas a baixa autoestima, estimulada através da falta de representatividade da diversidade dos corpos femininos em propagandas na mídia e internet. Segundo a DOVE, marca de cosméticos, em 2016 realizou uma pesquisa com 6.800 mulheres, oito em cada 10 disseram que já evitaram qualquer compromisso social por não se sentirem bem com seu próprio corpo. Diante dessa realidade, faz-se mister a necessidade de uma mudança em como as mulheres são representadas nos meios de comunicação.

Portanto, medidas cabíveis devem ser tomadas para solucionar essa problemática, o Ministério da Educação (MEC) deve promover palestras nas escolas que discutam a temática de forma clara, com objetivo de conscientizar estudantes e desconstruir estereótipos sociais, desenvolvendo assim indivíduos preparados para a convivência coletiva. Além disso, propagandas que discutam essa questão e exaltem a multiplicidade corporal existente no meio social devem ser desenvolvidas pela Secretaria de comunicação e da cultura e divulgadas na televisão e internet. Espera-se com isso a quebra de padrões e uma sociedade que acolha os indivíduos de todos os biótipos.