O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/06/2020

“Fato social” foi um conceito desenvolvido por Emile Durkheim com o intuito de explicar a influência da sociedade nas ações individuais. Para o sociólogo, a vida pública, por meio das instituições políticas e sociais, promove a imposição de determinados padrões coletivos. Similarmente, ao analisar tal prática na sociedade brasileira, nota-se que a idealização de determinados tipos corporais apresenta-se bastante evidenciada. Nesse âmbito, surgem consequências maléficas às saúdes física e psicológica a muitos indivíduos, geradas não apenas por uma negativa influência midiática na proliferação do padrão, mas também na negligência de órgãos educacionais na contensão de tais impactos.

Antes de tudo, é necessário destacar a forma de dissimulação desses padrões na sociedade. A esse respeito, cabe mencionar que, para Platão, a perfeição estética é absoluta e independe da concepção individual. A partir da visão do filósofo, nota-se que houve uma adesão por parte da cultura ocidental no que se refere à busca por essa beleza. Fica nítido, então, na modernidade, que a normalização do ideal de unificação dos corpos perfeitos passa a ser defendida por parte da mídia, por interesses econômicos, o que garante a perpetuação desses padrões na sociedade. Por conseguinte, há o aparecimento de prejuízos aos jovens que tentam atingi-los, seja pelos problemas psicológicos por não possuírem tais corpos ou pelo aparecimento de doenças causados pela alimentação não saudável.

Outrossim, é imperativo salientar o papel da educação no combate a esse culto. Acerca dessa premissa, Paulo Freire defendeu a ideia de que a função escolar não é puramente tecnicista, mas teria uma importância social por meio de debates. Nesse sentido, como a idealização do corpor acarreta consequências nocivas às saúdes dos jovens, há, por parte das escolas, a obrigatoriedade na desconstrução desses padrões sociais. Entretanto, vê-se um descaso por parte de muitas autoridades na inserção desse tipo de discussão nos espaços educacionais. Portanto, a ausência de uma participação efetiva por parte de alguns agentes públicos intensifica o processo de imposição do culto à padronização corporal no Brasil.

Em suma, torna-se clara a carência em acabar com as causas da manutenção do problema. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, incluir nas escolas brasileiras a desconstrução de padrões culturais impostos por parcela da mídia. Essas aulas deverão defender o relativismo da beleza e explicitar as desastrosas consequências propiciadas pela idealização ao padrão corporal. Com isso, espera-se uma aproximação com o pensamento de Freire, bem como garantir aos alunos uma maior capacidade de contestação aos “fatos sociais” impostos pela sociedade.