O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/06/2020

Cultura de padrões “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.” O verso de Vinicius de Morais, demonstra o pensamento predominante da sociedade não só nos séculos passados, mas até a contemporaneidade. Infelizmente, essa padronização da beleza possui consequências muito mais graves além do âmbito visual. Portanto, torna-se extremamente necessário trazer a público o debate acerca do culto a aparência na atualidade. Primeiramente é importante analisar as causas históricas e empresariais dessa problemática. Desde a Roma antiga, a sociedade patriarcal cultivou um ambiente excessivamente machista. No qual a figura feminina era moldada em vários aspectos, sobretudo fisicamente para satisfazer a vontade masculina. Essa cultura prevalece até hoje no ramo da moda e das redes socais, tendo em vista que as campanhas publicitarias utilizam daquilo que vende - o corpo idealizado – como forma de atingir a sociedade do consumo visando o lucro e reforçando estereótipos. Esse cenário contribui para um sentimento eurocêntrico e questões como gordofóbia, racismo, falta de diversidade e multiculturalismo. Além disso, é necessário debater no âmbito social e da saúde da questão. A era digital possui um forte poder influenciador. Quando se analisa na ótica dos jovens, que estão totalmente imersos nesse universo, em sua maioria adolescentes, impor um padrão a ser seguido sem ser debatido e questionado acaba gerando transtornos em uma geração desprepara para lidar com o mundo das redes sociais. Nesse sentido, em busca de aceitação, não só jovens, mas de maneira geral toda a sociedade, acabam submetendo a saúde para atingir metas incansáveis por um conceito deturbado de beleza. É evidente, portanto, descontruir padrões impostos que não são mais coerentes. Cabe a mídia, com vasto alcance, promover campanhas e produções de filmes e series que desvinculem a beleza a conceitos e estereótipos pré-estabelecidos. Com isso, a população através das redes sociais pode organizar boicotes a marcas que não contribuam com o movimento. O ministério da saúde, deve ampliar o atendimento psicológico nos posto de saúde e nas escolas, a fim de trabalhar questões como autoaceitação e bullying. Dessa forma pode-se caminhar para um mundo onde Vinicius de Morais possa ser contestado e dizer que beleza não é fundamental.