O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, observa-se na realidade hodierna o oposto do que o autor prega, porquanto o culto à padronização corporal na cultura brasileira apresenta barreias, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Isso é fruto da falta de políticas públicas que estimulem a autoaceitação e contribui para o processo de mercantilização da cultura. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a homogeneização dos corpos, com o objetivo de se alcançar o modelo perfeito, deriva da baixa atuação dos setores governa-mentais, no que concerne à criação de mecanismos educacionais que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os indivíduos são incutidos a buscar, de qualquer forma, o padrão corporal tido como exemplo a ser esquadrinhado.

Consequentemente, alicerçado a esse aparato de cultuação a um espécime de jaez tido como ideal, é notório o aumento da tentativa de imbuir os valores capitalistas na arte. De acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, a partir do século XX, a cultura perde seus valores próprios e passa a adotar uma postura que considera somente o lucro. Isso acontece devido às pessoas não terem criticidade, visto que passam a consumir os produtos que trazem a promessa milagrosa do rápido emagrecimento sem a preocupação se aquilo é verdadeiro ou não. Sendo assim, há a perpetuação desse quadro deletério de padronização desacerbada.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a idolatria à falta de diversidade no que tange os formatos corporais, faz-se necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será re-vertido na criação de uma campanha nacional de estímulo à aceitação individual de cada corpo, através de palestras e rodas de conversa em que os jovens poderão tirar dúvidas com especialistas no assunto. Desse modo, a coletividade alcançará a Utopia de More.