O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/06/2020
Retratando o culto à aparência, a cantora norte-americana Beyoncé compôs a música “Pretty Hurts”, em que diz: “A perfeição é a doença de uma nação”. Tal trecho nos leva a refletir não só sobre fatos atuais — como o avanço de recursos tecnológicos que visam o aperfeiçoamento da estética — mas também elementos históricos — como a personagem da mitologia grega Narciso, a qual morreu por se apaixonar pelo reflexo de sua própria imagem. Dessa forma, a consolidação dos padrões impostos na Idade Contemporânea é um risco à saúde física e mental da sociedade brasileira, além de uma confirmação da desigualdade social já existente.
É importante ressaltar, em primeiro plano, os distúrbios gerados por essa padronização obrigatória. A questão da valorização do corpo perfeito tem origem na Grécia Antiga com o surgimento das Olimpíadas, evento criado para se cultuar o corpo em homenagem aos deuses. Atualmente, a sociedade exibe sua imagem nas redes sociais, em uma busca contínua pela aprovação social e satisfação pessoal. Essas plataformas digitais inviabilizam a aceitação da diversidade de aparências, visto que um padrão é imposto e, assim, todos sentem que devem segui-lo. Por conseguinte, os jovens são o principal alvo desse arquétipo atual, devido à suscetibilidade que apresentam por estarem começando a socializar e, nesse contexto, também são os mais afetados pela dedicação à beleza, manifestando casos clínicos como: bulimia, depressão, ansiedade, anorexismo, e até o suicídio.
Cabe ainda considerar, em segundo plano, a influência da mídia brasileira nessa temática. Por meio de propagandas, diversos produtos estimulam o sentimento de necessidade de um corpo ideal e, além disso, são divulgados tratamentos estéticos para se alcançar a perfeição instituída, como: o fisiculturismo, práticas de emagrecimento, cirurgias plásticas, meios para alisar os cabelos e muito mais. Tais convenções não são de fácil acesso às classes menos privilegiadas, sendo mais comuns nas classes dominantes devido ao alto custo desses processos estéticos. Nesse aspecto, cria-se uma realidade de desigualdade social.
Mediante o exposto, pode-se concluir que padrões estéticos foram fortemente instituídos em nossa sociedade. Portanto, o Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR) deverá providenciar uma regulamentação mais rígida de publicidades que incitem a adoção de padrões estéticos, além de promover conteúdos publicitários que favoreçam a diversidade de aparências, por meio de propagandas para crianças e adolescentes, a fim de propiciar a diversidade de aparências. Desse modo, serão amenizados os efeitos provocados pelo estabelecimento de uma referência no conceito de beleza no Brasil.