O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/07/2020
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que o culto à padronização corporal, persiste atrelada à realidade do país, seja pelos riscos à saúde, seja pela exclusão social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a quebrar os paradigmas de que o “corpo perfeito” deve ser alcançado a qualquer custo.
A priori, vale destacar que o filme O Mínimo para Viver retrata a vida de uma jovem, que pressionada pela sociedade para se encaixar nos padrões, acaba desenvolvendo graves transtornos alimentares, que comprometem sua saúde física e mental. Fora da ficção, essa película retrata a realidade de muitos jovens que sofrem na tentativa de alcançar a idealização de perfeição, imposta socialmente. Além disso, muitas são as consequências geradas quando o objetivo não é atendido, como depressão, transtornos mentais e até mesmo suicídio. Contudo, tais ocorrências não servem de advertência para que ações sociais sejam tomadas com o intuito de desmistificar tais padrões de beleza.
A posteriori, é imprescindível salientar que a pressão social torna ainda mais árdua a luta pela beleza individual, haja vista que é necessário manter o padrão para ser aceito na maioria dos círculos sociais, e aqueles que rompem com tais preceitos, acabam sendo excluídos e marginalizados. Esta realidade é enfrentada, diariamente, por aqueles que fogem do estereótipo, e que acabam sendo reprimidos, intimidados, e até mesmo sofrendo agressões. Desta forma, tal problemática pode ser ilustrada pelo filme Meninas Malvadas, em que a personagem principal é excluída do grupo considerado “popular”, por apresentar um jeito único de agir e se vestir.
Em vista dos fatos mencionados, cabe às Organizações não Governamentais, promoverem por meio da elaboração de campanhas nas redes sociais e da organização de oficinas em ambientes públicos, uma conscientização coletiva a respeito da importância de desmascarar a ditadura da beleza que persiste intrincada na sociedade, em pleno século XXI, e da necessidade de se reconhecer e valorizar as características únicas de cada indivíduo. Ademais, cabe às escolas, ressaltarem a diversidade de belezas que há, mediante o oferecimento de palestras e da realização de atividades lúdicas em conjunto que enalteçam os alunos e seus atributos, de modo a formar indivíduos empoderados e que tenham discernimento para reconhecer o quão plural a sociedade é. Desta maneira, com o propósito de solucionar tais adversidades que comprometem o bem-estar e desenvolvimento humano.