O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/06/2020

Em “Branca de Neve e os sete anões”, a Rainha Má tem por principal objetivo se tornar a mulher mais bonita do reino e, para isso, está disposta até mesmo a matar sua enteada. Bem como no conto de fadas, no Brasil também há um forte culto à beleza física que faz com que muitas pessoas tomem medidas drásticas para alcançá-la. Porém, esses parâmetros são na verdade impostos à sociedade e ajudam a desenvolver distúrbios psicológicos e alimentares.

Primeiramente, é preciso estabelecer que a beleza é um conceito amplo e relativo, mas os meios de comunicação e a indústria da moda estabelecem, por meio das celebridades, um padrão do que deve ou não ser considerado belo. Desse modo, as grandes massas têm um modelo para se espelhar e buscam se enquadrar nele. Por exemplo, na novela “Cheias de charme” o personagem Inácio passa por uma cirurgia plástica para ficar parecido com o cantor Fabian.

Além disso, as pessoas que não se encaixam nos padrões de beleza podem, muitas vezes, desenvolver problemas de autoestima que causam distúrbios alimentares e psicológicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 5% das mulheres do planeta sofrem de bulimia, transtorno que leva o indivíduo a tentar ganhar menos peso através do uso de laxantes e outras técnicas inadequadas. Logo, essa questão deve ser encarada também como um problema de saúde pública.

Sendo assim, fica evidente a necessidade de combater o culto a padrões de beleza. Para isso, é necessário que o Governo, junto à Agência Nacional de Telecomunicações, crie uma política que estimule a presença de uma maior diversidade de corpos na televisão e em campanhas publicitárias, com o objetivo de acabar com o ideal de imagem perfeita. Por fim, o Ministério da Saúde deve, junto ao Ministério da Educação, colocar psicólogos e psiquiatras nas escolas e universidades para auxiliar jovens que sofrem de transtornos alimentares.