O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/07/2020

Sabe-se que a busca pelo corpo perfeito imposto à sociedade não é um tema atual. No fim dos anos 80 e durante o início dos 90 as supermodelos ditaram os padrões de beleza. Altas, magras, com curvas na medida certa e um visual saudável, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Luiza Brunet são alguns nomes que se destacaram entre as supermodelos. Há décadas que complicações na saúde de jovens e adultos devido a esse fanatismo torna-se habitual. O desejo de introduzir-se no padrão pode fazer com que as pessoas percam o controle e consuma tudo o que é estipulado.

Nesse contexto, ser magro e ter músculos definidos, nos dias atuais, é sinônimo de ser belo, de acordo com o ideal mostrado pela mídia. Por esse motivo, surgem, nas redes socias, influências a métodos milagrosos de emagrecimento , que não levam a lugar nenhum ou tem efeitos temporários, que podem acarretar graves distúrbios como bulimia e anorexia em virtude da frustração. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (National Institute of Mental Health, em inglês), 70 milhões de pessoas no mundo todo sofrem de algum tipo de transtorno alimentar.

Ademais, o incentivo à não aceitação pessoal é uma maneira que mercado encontra de vender e-books sobre corpo exemplar, cápsulas inexplicáveis, entre outras coisas, colocando como prioridade o lucro ao invés de zelar pela saúde mental e física de quem consome esses produtos. Como salientou a historiadora Mary Del Priori (2001), na sociedade de “abundância” industrial o corpo ampliou sua característica de consumidor. Assim, o tão sonhado “corpo capitalista” conduz a sociedade, na maioria das vezes, à necessidade de terapias.

Em suma, pensar em meios de desconstrução desse ideal evidenciado é essencial. Para tanto, a mídia, juntamente ao Ministério da Saúde, deve trazer ao público programas com profissionais da área, por meio de rádio e canais de TV aberta, para alertar sobre os riscos de acatar esses processos estéticos que são vendidos descontroladamente, visando, assim, uma diminuição dos transtornos encadeados por essa obsessão.