O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/07/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual seu corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a busca exorbitante por padrões estéticos de beleza apresenta obstáculos, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da má influência midiática quanto da pouca atuação das autoridades nacionais. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, a interferência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Por conseguinte, nota-se que a mídia-1 em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação de padrões visando a “beleza absoluta”. Tal influxo ocorre, majoritariamente, por meio de propagandas que estimulam a busca pela venustidade ideal como forma de se adequar ao meio social imposto pelos canais de comunicação.
Em segunda análise, de acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar de toda a nação. No entanto, isso não ocorre no Brasil, pois, com a procura elevada da padronização corporal, os índices de distúrbios alimentares, como a bulimia e a anorexia vêm crescendo constantemente no país. Desse modo, é fulcral pontuar que essa contenda deriva da baixa atuação dos setores governamentais, tais como o Ministério da Saúde, já que ele não explora recursos para vetar o progresso de perturbações nutricionais. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal com interesse em reverter essa situação.
Portanto, infere-se que ainda há entraves na solidificação de políticas que visem o fim da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Estado, será revertido em políticas e programas, com o objetivo de induzir a população a se aceitar socialmente, mediante o Ministério da Saúde, ambicionando abolir a procura pela padronização corporal imodificável.