O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/07/2020
De acordo com os pensadores da Escola de Frankfurt, a Indústria cultural estabelece, a partir de propagandas e anúncios publicitários, um modelo ideal de vida e comportamento a ser adotado em sociedade. Nesse sentido, no contexto estético, há também uma tentativa de legitimação de um padrão corporal ideal feminino, do qual, muitas vezes, compele as mulheres a diversas problemáticas no Brasil atual. Assim, há a configuração de uma conjuntura, resultada não só da tentativa de inserção e adequação social, como também da correspondência com as expectativas culturais construídas pela sociedade.
Inicialmente, é válido ressaltar que as mulheres, buscando o pertencimento social, se adaptam aos padrões corporais. Exemplo disso é visto na série televisiva “Glee”, na qual Rachel, uma das integrantes do coral, decide fazer uma plástica para se parecer com a chefe das líderes de torcida – popular e com o corpo ideal. Nessa perspectiva, vê-se como a adequação às normas estéticas e comportamentais está diretamente relacionado ao prestígio, ao reconhecimento à inserção social, fazendo com que as mulheres, de diversas formas, tentem se encaixar nesse padrão. Desse modo, esse grupo é impelido ao ajustamento nos modos de ser e agir, construindo, pela sociedade, uma liberdade ilusória.
Além disso, é importante mencionar a adequação aos padrões de beleza no que tange a corresponder com as expectativas da sociedade. Isto é, segundo o filósofo Émile Durkheim, há na sociedade, com o tempo, a formação cultural de modos de agir e pensar, denominados fatos sociais. Nessa óptica, entende-se que, para ser socialmente inserida a mulher precisa corresponder com o esperado pela sociedade, como ser subserviente aos homens, ter um comportamento considerado feminino e um corpo que os agrade. Logo, utilizam-se de mecanismos extremos para manter-se dentro dos padrões – como os transtornos alimentares de anorexia e de bulimia -, levando a fortes impactos psicológicos, como depressão e ansiedade, devido a inadequação social.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a dissolução dessa conjuntura. Para tal, o Ministério da Cidadania deve, por meio da criação de programas públicos, promover políticas de representação feminina nos meios de comunicação, a fim da quebra dos padrões corporais vigentes. Essa políticas funcionariam de modo a criar propagandas que possibilitem a retratação das variedades estéticas do público feminino, assim como legitimar todas as suas características físicas, criando entre as internautas a possibilidade de auto reconhecimento. Por conseguinte, o pleno funcionamento da sociedade brasileira seria estabelecido e a manipulação da Indústria cultural seria mitigada.