O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/07/2020

O filme estadunidense " O mínimo para viver", mostra a dificuldade da protagonista Ellen, de 20 anos, em lidar com a anorexia, uma vez que se recusa a comer com medo de engordar. Fora da ficção, essa doença é apenas uma dos inúmeros transtornos psicológicos oriundos da cultuação do corpo pela sociedade contemporânea. Tal prática ocorre em razão das mídias difundirem os padrões de belezas em seus anúncios com a intenção de vender produtos cosméticos, o que implica pessoas doentes pelo fracasso desses adquiridos.

Inicialmente, o sistema capitalista necessita dos padrões de beleza para vender produtos para uma sociedade infeliz com seus corpos. Para isso, a mídia é uma forte aliada no processo de divulgação de produtos “milagrosos”. Segundo sociólogo Pierre Bourdieu: " Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica". Logo, observa-se que o papel exercido pela mídia ao propagar o culto a beleza reflete essa disfunção apontada pelo Bourdieu. Tendo em vista que as propagandas através do símbolos, oprimem as pessoas que não estão no padrão imposto como ideal. Ademais, os produtos cosméticos não conseguem atender os desejos prometidos ao consumidor, o que acarreta um sentimento de fracasso no indivíduo, pois não conseguem se livrar dos seus “defeitos”.

Consequentemente, como no filme mencionado, a magreza dita como ideal implicou em um distúrbio grave de anorexia. Além desse, a sociedade hodierna enfrenta várias doenças psicológicas, como bulimia, ansiedade e depressão. Dessa forma, o capitalismo junto a violência simbólica das mídias, colocam em risco o direito à saúde e qualidade de vida previstos no artigo 196, da Constituição Federal, um vez que destroem a autoestima e saúde mental dos brasileiros para conseguir vender e lucrar, a partir de uma sociedade doente psicologicamente.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para combater o culto à beleza no Brasil. Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve fiscalizar anúncios abusivos em relação ao corpo, por meio de uma lei que multe as empresas relacionadas a tais violências, a fim de diminuir os abusos no padrão de beleza, uma vez que trazem prejuízos à saúde. Além disso, o Ministério da Saúde tem que tratar as pessoas que sofrem com patologias relacionadas à insatisfação do próprio corpo, por intermédio de psicólogos e psquiatras, com a finalidade de combater esses efeitos, haja vista que no Brasil várias pessoas sofrem com a opressão das mídias.