O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 10/09/2020

Novelas, séries, filmes, revistas. Essas são algumas das formas de entretenimento mais disseminadas entre a população, consumidas em momentos de lazer e relaxamento. Contudo, apesar da diversão que fornecem, elas vêm acompanhadas de modelos estéticos considerados ideais, os quais são assimilados conscientemente ou não. Sob tal ótica, o culto à padronização corporal no Brasil é um problema grave para a qualidade de vida das pessoas e tem a sua origem na objetificação do ser humano e na pressão da sociedade.

Inicialmente, a comercialização de uma estética perfeita incentiva a realização de procedimentos radicais. De acordo com a Escola de Frankfurt, com a consolidação do capitalismo, surgiu a indústria cultural, a qual se caracteriza pela venda massiva de obras de arte visando o aumento do lucro, consequentemente, ocorre a perda de sua aura. Diante disso, propagandas de perfumes, maquiagens e roupas apresentam modelos em exibição como se elas fossem a mercadoria. Nesse sentido, cria-se a visão do corpo como um item a ser modificado até atingir a “perfeição”, por conseguinte há a procura por cirurgias completamente estéticas e o uso de anabolizantes, os quais podem trazem riscos à saúde.

Outrossim, a fuga do padrão estabelecido acarreta em danos ao estado emocional. Em consonância com Durkheim, os fatos sociais são as regras capazes de dar coesão a um povo, porém aqueles que não os seguem sofrem sanções. Concomitantemente, as imagens transmitidas em redes sociais, televisão e cinema criam um paradigma de beleza ideal quase impossível de ser alcançado. Dessa forma, gordos, negros, idosos e outros grupos que não conseguem atingi-lo podem sofrer preconceito por causa de sua aparência, o qual prejudica o bem-estar mental, visto que ele contribui para o desenvolvimento de distúrbios, como a anorexia, ou de uma insatisfação consigo mesmo.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam um melhor relacionamentos dos brasileiros com seus corpos. Logo, cabe ao CONAR (Código Nacional de Autorregulamentação Publicitária) aumentar o rigor para a veiculação de anúncios voltados para produtos estéticos com a exibição de modelos, por meio de regras que exijam que esses tenham diferentes perfis corporais e étnicos. Ademais, será criada uma parceria com as emissoras de televisão para que essas transmitam o número e o “website” para a denúncia de propagandas em que o culto ao corpo seja mais perceptível do que o produto em si. Espera-se, assim, desconstruir a perspectiva de que existe um corpo perfeito e incentivar a valorização da beleza natural de cada um.