O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/07/2020
O filme “To the Bone”, produzido pela Netflix, retrata a história de Ellen, uma jovem que lida com distúrbios alimentares e, em decorrência disso, é internada consecutivas vezes em clínicas de tratamento para enfrentar a anorexia. Infelizmente, a ocorrência de doenças e de transtornos como os de Ellen não se restringem ao mundo cinematográfico, estando presentes na realidade brasileira devido ao culto à padronização corporal. Assim, influenciada por fatores sociais, a supervalorização da estética traz consequências para a saúde população, sendo algo a ser combatido na modernidade.
Em primeira análise, é válido destacar que essa adoração beleza corpórea não é algo recente na história da humanidade. Na Antiguidade, os gregos já associavam os físicos fortes e atléticos dos guerreiros ao conceito de beleza da época, os quais os deuses também possuiriam. De maneira análoga, constata-se na atualidade uma idolatria ao corpo similar à dos habitantes da Grécia, pois é possível observar, principalmente na televisão, o estabelecimento de um padrão para aqueles que são vistos pela grande massa. Dessa forma, assim como afirma Adorno, em sua teoria da Indústria Cultural, pela repetição dessas normas visuais, a mídia impõe o que é belo de maneira coercitiva e exterior, sendo tal conceito internalizado na mentalidade popular.
Ademais, é indubitável que supervalorização estética acarrete consequências para a saúde dos cidadãos. Segundo a pesquisa feita em 2016 pela Eldeman Intelligence, que expõe o sentimento da população em relação a sua aparência, os indivíduos, em especial as mulheres, ao se depararem com padrões muitas vezes inatingíveis, acabam se sentindo pressionados para atingir o “corpo perfeito”. Desse modo, tendo em vista a imposição para se encaixar nos modelos sociais, as pessoas podem desenvolver transtornos como anorexia, bulimia ou vigorexia, favorecendo estética em detrimento da saúde física e mental, como mostrado no supracitado filme da Netflix.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar o culto à padronização corporal. Cabe, então, à mídia, por meio de marcas ligadas à beleza, a promoção de campanhas publicitárias que abordem sobre a autoaceitação do próprio corpo e preguem a despadronização do que é belo. Tais propagandas podem ser realizadas, por exemplo, com modelos plus size, tendo como finalidade a ruptura dos moldes sociais. Por fim, espera-se que casos como o do filme “To the Bone” não venham a ocorrer no gigante tupiniquim.