O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 02/08/2020
Beleza vende! Essa é uma máxima do “marketing” e exprime um ideal estético cada vez mais introjetado na civilização ocidental contemporânea. No Brasil, não é diferente e aliado à cultura do consumismo conjuntamente com a busca de um modelo ideal de aparência corporal, produzem-se consequências negativas na sociedade. Evidencia-se, portanto, que aprofundar a discussão dos malefícios do culto à padronização do corpo humano é questão preponderante.
De início, vale ressaltar que o consumismo é uma estratégia mercadológica para impulsionar o comércio. Essa cultura foi potencializada pelos Estados Unidos da América no pós-guerra, por meio do sonho americano, no intuito de fortalecer a economia. Assim, para alcançar esse objetivo, o “marketing” age de modo a transformar um desejo em uma necessidade no público em geral induzindo-os a comprar produtos e/ou serviços dos quais não precisam. Analogamente, padronizou-se um corpo ideal de beleza corporal a ser conquistada a qualquer custo no Brasil, que, muitas vezes, não leva em conta as consequências desse comportamento. Logo, é importante difundir essa análise crítica na população a respeito desse tema.
Ademais, indústria da beleza, visando ao maior lucro, explora e fortalece esse padrão estético vigente. A exaltação da imagem fenotípica é potencializada ao extremo, associando a autoimagem com a autoestima, de maneira que não basta ser, tem que parecer também. Para o educador suíço, Jean Piaget, a construção da autoimagem de si próprio é feita pelo espelhamento no outro, levando em consideração a opinião pública. Nessa perspectiva, há a idealização de que o corpo idealizado é inerente à percepção de realização pessoal e felicidade, culturalmente, perpetuada pelo “marketing” comercial para vender mais, no qual a aparência, por vezes, se sobrepõe á essência. De fato, isso é psicologicamente prejudicial à população brasileira.
É evidente, portanto, que é mister discutir as causas e consequências do culto à padronização corporal no Brasil. Para tanto, faz-se necessária a ação da escola, lugar de maior interação social na infância, na formação de cidadãos críticos quanto a diferenciação de desejo e necessidade, bem como os gatilhos de psicossociais e mercadológicos que corroboram para essa não distinção, por meio de brincadeiras lúdicas e palestras engendradas com a participação dos pais e posteriormente pelas aulas de filosofia e sociologia, principalmente, para que, face às frustrações intrínsecas ao ser humano, os cidadãos possam reagir de maneira saudável. Dessa maneira, os impactos da beleza utópica poderão ser amenizados no comportamento dos brasileiros.