O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Segundo a atriz e cantora italiana Sophia Loren, " prefiro comer uma boa massa e tomar vinho do que usar tamanho 32". Com uma visão inovadora, a fala da atriz do século XX traça um paralelo com a realidade atual brasileira, especialmente ao se dirigir às mulheres, que são vítimas do culto à padronização corporal. Em razão disso, cabe discutir os aspectos que corroboram para tal problemática social, sendo os principais: a educação infantil como influenciadora nos padrões comportamentais de meninas, como também a criação de estereótipos estéticos ao público feminino, sendo fortemente veiculados pelas mídias sociais.
Em primeiro lugar, de acordo com a psicóloga Maria Costa, a padronização do feminino possui raízes na educação infantil, influenciada por uma visão patriarcal de tratar meninas como “princesas”. Desse modo, já em idade prematura padrões estéticos são postos como regra de comportamento para garotas, sendo, portanto, fatos sociais - conceito idealizado pelo sociólogo Émile Durkheim. Consequentemente, a pressão e coerção social são fatores que estimulam a busca desenfreada pelo corpo ideal; basta relembrar o caso da menina irlandesa - Milly Tuomey deixou um bilhete antes de suicidar-se, que continha a seguinte frase: " meninas bonitas não comem".
Em segundo lugar, a criação de estereótipos estéticos pelos veículos midiáticos, como a valorização do “corpo de modelo”, são fatores pressionadores para que mulheres busquem aceitação e se submetem a cirurgias plásticas, que podem trazer riscos a sua saúde física e mental. Nesse viés, é válido o argumento do filósofo Karl Marx, ao afirmar que a ideologia dominante burguesa naturaliza o consumismo como verdade absoluta a ser seguida. Não tão longe da realidade, a tese do pensador materialista, associa-se com a realidade brasileira: a recente onda de “Lipo LAD” - cirurgia plástica de lipoaspiração de alta definição- tem atraído inúmeras jovens, controversamente, também àquelas que se encaixam no padrão midiático. Como exemplo, o caso da atriz e adolescente Giovanna Chaves - a jovem confessou aos fãns em sua conta no Instagram, não gostar do próprio corpo, além de possuir “muitas gordurinhas”, fator que a motivou na realização da cirurgia.
Portanto, a fim de atenuar a problemática de padronização corporal no Brasil, ações devem ser tomadas. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, em ação conjunta, com empresas privadas do ramo estético destinem campanhas e propagandas nas mídias e redes sociais, como Facebook e Instagram. Nesse sentido, a campanha visaria conscientizar o público feminino sobre a valorização do próprio corpo. Com isso, espera-se que mais mulheres rompam com os padrões estéticos e sejam livres com suas escolhas, assim como a italiana Sophia Loren.