O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/12/2020

A obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, retrata uma esfera social ideal, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e obstáculos. Entretanto, no panorama vigente, é observável a anulação dos princípios reverberados por More, uma vez que a sociedade brasileira enfrenta os desafios do culto à padronização corporal. Nesse sentido, convém uma análise tanto do setor da informação midiática, quanto da tentativa de inserção e adequação comunitária. Desse modo, faz-se necessário analisar as causas que contribuem para a problemática em território pátrio.

Em primeiro plano, Theodor Adorno- sociólogo alemão- disserta sobre a chamada “Indústria Cultural”, que designa o conjunto de estratégias empresariais capazes de influenciar a conduta cidadã. Nesse ínterim, o setor da produção midiática tem sido materializado na conjuntura hodierna, haja vista que ocorre a perpetuação da lógica exposta por Adorno, causando a elevação do culto à forma dos indivíduos. Visto que, o alto contato com plataformas informativas permitiu a persuasão corporal, proporcionada por propagandas e campanhas televisivas, as quais nutrem uma alta exposição de pessoas magras como ideal de vida saudável, impulsionando a venda em grande escala de medicamentos “milagrosos” de emagrecimento. Por conseguinte, infere-se que os agentes citados corroboram diretamente em distúrbios alimentares, em razão não só da bulimia, mas também anorexia.

Em segundo plano, consoante o filósofo Aristóteles, o homem é um ser social. Dessa forma, tendo em análise a tentativa de inserção e adequação comunitária em determinado grupo estético, é indubitável a percepção de que o pertencimento social buscado pelas mulheres está fortemente relacionado ao prestígio e reconhecimento, fazendo com que, de diversas formas, tentem se encaixar nesse parâmetro. Exemplo disso é visto na série “Glee”, na qual Rachel, uma das integrantes do coral, decide fazer uma plástica para se parecer com a chefe das líderes de torcida, em virtude de ser popular.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o objetivo de combater o culto à padronização corporal no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve, através de verbas governamentais, criar programas preventivos de aceitação estética para intervir nas mulheres que possuem pré-disposição à bulimia e anorexia, inserindo especialistas em áreas como Psicologia e Nutrição nos postos de saúde e jornais televisivos,- com a finalidade de orientar as cidadãs sobre os malefícios do uso indiscriminado de substâncias corporais “milagrosas”, contrapondo o paradigma em questão-. Em adição, é inerente que a mídia freie a construção de intensos padrões de beleza, através do incentivo a inclusão de pessoas com diversas formas corporais em propagandas e telenovelas. Por fim, haverá o ambiente idealizado por More.