O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/09/2020

Desde a antiguidade o Brasil é conhecido pela suas riquezas naturais e pela beleza de suas mulheres, afinal, a miscigenação contribuiu para a formação de um país de diferentes etnias e formatos corporais. Porém, com o processo de globalização os processos estéticos, o culto a aparência e a padronização dos corpos tem sido uma constante na vida de muitas pessoas, que, na maioria das vezes, geram grandes problemas mentais e físicos a essa parcela da população.Logo, os principais fatores que corroboram essa problemática são: força massiva das indústrias que ditam regras  e moldam os consumidores e a falta de aceitação dos próprios indivíduos.

Em primeiro plano, segundo o filósofo Theodor Adorno, a Indústria Cultural possui padrões que se repetem com o intuito de formar uma estética voltada para o consumismo. Nesse sentido, é fato que o setor industrial tem uma forte dominação sob os indivíduos, por isso, muitos setores mercadológicos, principalmente, aqueles voltados para a moda, confeccionam roupas de diversas variedades e cores, porém, focam em formas pequenas, excluindo, assim, os indivíduos ditos mais “gordinhos”. Além disso, os comercias que envolvem o mercado de cosméticos e vestimentas, na maioria das vezes, apresentam mulheres magras e altas como sendo um padrão de beleza que deveria ser aderido, fazendo com que os cidadãos que não possuam tal corpo, sintam-se excluídos e não representados pelo setor logístico.Dessa forma, validando a tese acima, estudos realizadas pela Dove, 80% das mulheres sentem-se pressionadas a atingir o padrão de beleza imposto pela sociedade.

Em segundo plano, de acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, o maior erro humano é sacrificar a saúde a qualquer outra vantagem.Nesse viés, é válido pontuar que, devido a pressão social imposta pela indústria e pela mídia para se ter um corpo perfeito, muitas pessoas colocam  a sua vida em risco para conseguirem ser aceitos na comunidade, e para isso, buscam dietas milagrosas e procedimentos estéticos evasivos.Ademais, ao perceberem que seus corpos não estão de acordo com a regra imposta pela sociedade, muitas pessoas desenvolvem problemas como a ansiedade,a depressão e a  bulimia, rejeitando seu físico e tentando forçar um padrão que as afetam negativamente.

Destarte, cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que, desde a mais tenra idade, as crianças sejam educadas por meio de teatros e palestras que mostrem a elas a importância de respeitar as diferenças, principalmente, as que se referem ao corpo,para que assim, entendam que a nossa comunidade é formada por pessoas de diferentes estaturas e pesos e que todos devem ser respeitados.Dessa maneira, se essa medida for realizada, esses alunos se tornarão futuros adultos críticos e conscientes que passarão a  entender que a beleza é múltipla e não deve ser padronizada.