O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/09/2020

Na música “Ugly” feita por Nicole Dollanganger, a busca pelo corpo ideal é retratada pelo ponto de vista de uma mulher que se considera indigna de amor por não estar dentro dos padrões de beleza da sua comunidade. Nesse contexto, é evidente que este não é um caso isolado, uma vez que o culto à aparência está diretamente relacionado aos conceitos de saúde e beleza propagados pela sociedade contemporânea, que comprometem negativamente a qualidade de vida de milhares de indivíduos ao redor do mundo.

Primeiramente, é preciso destacar que padrões de beleza sempre estiveram presentes na sociedade. Vê-se o exemplo dos padrões impostos na Europa durante o Renascimento (séc. XVIII): as mulheres deveriam ser robustas, com suas formas modeladas por espartilhos, enquanto os homens deveriam ser atléticos e altos. Esses modelos se alteraram com o tempo e, embora façam parte da cultura humana, atualmente, paradigmas de beleza são levados a níveis onde se tornaram perigosos para a saúde física e mental de milhares de pessoas, que se submetem a extremos para alcançar o irreal “corpo perfeito”.

Ademais, é pertinente citar como principal consequência dessa busca pela “forma ideal” os transtornos alimentares. Catalogados como doenças relacionadas a como o indivíduo se enxerga, a anorexia e a bulimia são os dois exemplos mais predominantes na sociedade. Somente no Brasil, de acordo com um estudo realizado pela Secretarias de Estado de Saúde de São Paulo, é estimado que 77% da população possui algum tipo de transtorno alimentar, o que reflete a realidade desse desejo de se encaixar nos modelos estipulados pela sociedade.

Portanto, torna-se necessário que esses padrões de beleza sejam desconstruídos, a favor de incorporar ideais reais e representativos de saúde e beleza. Cabe à mídia, em parceria com Secretarias de Saúde, criar propagandas publicitárias que visam educar a população sobre as consequências da busca pela “perfeição corporal”, tendo em vista a apresentação de modelos mais saudáveis de beleza. Além disso, é conveniente que essas propagandas sejam mostradas em escolas e universidades, a fim de diminuir os altos índices de transtornos alimentares entre jovens. Dessa forma, será possível desestruturar o culto à aparência e melhorar a qualidade de vida no mundo contemporâneo.