O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/09/2020
A obra “Homem Vitruviano”, do artista renascentista Leonardo da Vinci, relata como o corpo humano é idealizado, desde antigamente. Nesse raciocínio, é possível notar, nos dias de hoje, uma ressignificação do corpo perfeito que destina somente à estética, fato este que submete procedimentos exagerados, para atingir ao corpo padrão. No entanto, se torna toxico para pessoas consideradas acima do peso, uma vez que destaca a discriminação da gordofobia. Esta discriminação ocorre não só pela influência das redes sociais de corpos “ideais”, mas também pela manutenção histórica de tal preconceito na sociedade.
Em primeiro lugar, cabe analisar o papel das redes sociais no estereótipo corporal idealizado. Com ascensão dos influenciadores digitais tem promovido os padrões estéticos do “corpo magro”, deixando as pessoas deprimidas por não possuírem tais característica. Apesar disso, muitas fotos postadas na mídia ainda possuem padrões de beleza ilusórios, onde imagens de celebridades são editadas em programas de edição. Portanto, os usuários ficam frustrados por não ver a mesma aparência nessas plataformas. De acordo com pesquisas entre 1.500 pessoas, 70% disseram que as redes sociais teriam um impacto negativo na forma de observar a sua imagem.
Com isso, é possível dizer que, o estereótipo dado pela sociedade, aos que não seguem o padrão do “corpo perfeito”, faz com que muitas pessoas tenham prejuízos emocionais - que provêm do ódio ao corpo-, e físicos- por causa das dietas rigorosas. Ademais, a gordofobia, o preconceito com quem está acima do peso existe desde outras épocas. Segundo Hannah Arendt, na sua teoria “Banalidade do Mal”, defende que um comportamento passa a ser realizado, inconscientemente, a partir da normatização dessas situações. Em paralelo a essa ideia, a gordofobia é perpetuada, como revela um estudo feito pelo IBOPE, ao afirmar que esse preconceito está presente na rotina de 92% dos cidadãos.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para atenuar essa problemática.
Para tanto, é necessário que Ministério da Educação promova ao ensino básico, técnico e superior, aulas e atividades dinâmicas, além de palestras, que evidenciem como a gordofobia é algo atual e recorrente e, por isso, deve ser combatida. Contudo, tal medida deve ocorrer por meio de profissionais da saúde, como psicólogos e psiquiatras, além do depoimento de pessoas que já sofreram com esse preconceito. Consequentemente, a ideia de corpo saudável será reajustada e, assim, poderá remeter à valorização corporal de Da Vinci.