O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/10/2020

Na Grécia Antiga os homens buscavam por um ideal de corpo perfeito que seria ágil,forte e exuberante. No entanto, nota-se uma herança cultural deste período posto que o culto à  padronização corporal no Brasil é ainda uma realidade hodierna.Sendo assim, evidencia-se a configuração de um problema complexo, atrelado à influência midiática e à falta de debate sobre o tema.

Nessa perspectiva,infere-se que, segundo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser ferramenta de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.Sob tal ótica, é perceptível que a mídia ao exaltar corpos magros e definidos em detrimento daqueles considerados fora do padrão, está em desarmonia com sua função democrática. Dessa forma, a influência midiática na criação de estereótipos e na idealização dos corpos corrobora de forma efetiva para a perpetuação do culto à padronização estética dos corpos.Assim, há um desacordo entre a idealidade e a efetividade do postulado por Bordieu.

Ademais, é válido salientar que,na obra “Extraordinário”, o protagonista August tem uma deformação facial congênita que o torna alvo de olhar assíduo de seus colegas por estar fora do ideal de beleza estipulado.Entretanto, fora da ficção, as críticas e olhares para corpos considerados imperfeitos é constante e a ausência de debate sobre a temática é um fator determinante para sua permanência.Assim, a não abordagem a respeito da necessidade de aceitação do outro e de si perpetua comportamentos como o retratado em “Extraordinário”.

Destarte,medidas são necessárias para mitigar o culto à padronização corporal no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação— órgão responsável por ofertar um ensino de qualidade no país— em parceria com a mídia promover campanhas,por intermédio de propagandas e palestras ,com o intuito de alertar a população sobre os riscos da busca de um corpo perfeito, como almejado na pólis grega.