O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/10/2020

A Antiguidade Clássica greco-romana foi um período marcado pelos conceitos literais de belo e simétrico; esculturas e artes em geral, exaltavam um padrão perfeccionista de corpo humano. Entretanto, no contexto presente, é comum observar uma série de preocupações estéticas ligadas a padronização das formas corporais o que pode acarretar problemas como distúrbios alimentares e danos à saúde mental dos indivíduos na sociedade brasileira.

Em primeira análise, segundo o setor de pesquisas em psiquiatria da UFRJ, os principais distúrbios alimentares que ocorrem no Brasil são a anorexia, a bulimia, e o consumo de alimentos em excesso por ansiedade. Isso ocorre devido ao grau de importância que é dado a padronização corporal presente nas mídias sociais, nos desfiles de moda, nas vendas de roupas e nas tendências mundiais do mercado consumidor. Ademais, a busca por um corpo esteticamente simétrico ignora a saúde e o bem-estar, que são indicados como prioridade médica, e se adequam a métodos ‘‘milagrosos’’ de emagrecimento, que servem somente para enriquecer a indústria estética e gerar dependência de consumo, principalmente entre as mulheres, que são alvo de um modelo estereotipado da figura feminina no Brasil.

Em segunda análise, é possível compreender que além de danos físicos, a saúde mental também é prejudicada com este conceito de padronização. No ano de 2016, na Irlanda, uma criança de 11 anos cometeu suicídio e antes disso, escreveu com seu próprio sangue a frase ‘‘garotas bonitas não comem’’. A jovem tinha uma grande insatisfação com seu corpo e por ser diferente das meninas nas quais ela se inspirava, decidiu efetuar a automutilação.  Dessa forma, é possível identificar que o problema gerado pela influência  da mídia da beleza, danifica de maneira nociva o estado psicológico de jovens e adultos que procuram se encaixar nos moldes publicados.

Infere-se portanto que, medidas são necessárias para solucionar a problemática do culto à padronização do corpo no Brasil. O Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR)  deverá regular as propagandas que incitam o preconceito a diversidade dos corpos e punir por meio das diretrizes legislativas, produtos que incitam distúrbios alimentares nos consumidores. Ademais, o Ministério da Educação juntamente com escolas da rede pública e privada, devem realizar palestras para seus alunos a respeito da importância da saúde física e mental priorizada em relação a estética. Somente assim, torna-se possível obter uma sociedade equilibrada longe de preconceitos e problemas de saúde relacionados ao padrão físico.