O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Na distopia 1984, escrita por George Orwell, retrata uma sociedade oprimida por um governo autoritário que distorce a realidade. Análogo a isso, sob o viés estético há uma opressão mediante os padrões de beleza, em virtude da valorização da lucratividade ao invés do bem estar social. Assim, dentre os fatores que incitam na manutenção desse problema , destacam-se, a mídia que dissemina os padrões inalcançáveis das elites alicerçado a cultura patriarcal.
A priori, a mídia influencia na imposição de padrões estéticos oriundos de uma elite que enaltece representações imagéticas inacessíveis de mulheres em propagandas e redes sociais, de modo que esse padrão torne-se algo a ser buscado a todo custo. Consequentemente, as mulheres que não se encaixam sofrem psicologicamente com problemas de autoestima e aceitação de sua natureza. Ademais, existe uma desarmonia entre o que é visto midiaticamente com a realidade, pois de acordo com a Data Popular 65% das mulheres na TV são de classe alta e branca indo de encontro com a maioria negra e parda do Brasil conforme o IBGE.
Outrossim, o sociólogo Emile Durkheim, disserta sobre o fato social, o qual é coercitivo, geral e exterior ao indivíduo. Nessa ótica, a cultura do patriarcado é um fenômeno coercitivo à medida que impõe que as mulheres, em geral, devem está sempre alinhadas esteticamente, de maneira que esse pensamento é refletido exteriormente dentro e fora de casa. Ilustração disso, é a subordinação feminina aos padrões de beleza para ser aceita no ambiente profissional.
Portanto, é inegável que essa opressão moldada pelo capitalismo provoca um perda de valores essenciais ao ser. A princípio, urge a mídia, Organizações Não Governamentais e Ministério da Educação e Cultura, para desenvolver debates sobre os padrões de beleza e seus impactos, nas escolas, na TV e em telejornais e redes sociais, com auxilio da família e de filósofos e sociólogos, com intuito de evitar a submissão e demanda aos modelos estéticos impostos na modernidade, com escopo de cada um valorizar sua identidade e essência, assim reduzindo o índice de transtornos mentais com a elevação da autoestima.