O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/10/2020
Ao analisar os comportamentos atuais da sociedade, Guy Debord em seu livro” a sociedade do espetáculo “criticou ferozmente a intensa cultura imagética na contemporaneidade, apresentando o conceito de espetáculo como a “relação de pessoas mediadas por imagens”. No entanto, a padronização do culto à aparência ainda é fortemente presenciada no século XXI, influenciada pelas mídias, somada ao padrão de beleza imposto pela sociedade. Nesse sentido, a difusão do panorama de exaltação individual configura-se como um problema social que não pode ser negligenciado. Em primeiro lugar, é essencial pontuar, de início que a influência mediática corrobora para o cenário atual de conduta compulsiva de beleza individual. Isso porque, de acordo com as pesquisas dos sociólogos Adorno e Horkheimer sobre indústria cultural. As médias digitais possuem uma grande capacidade de atuar como formadores e moldadores de opiniões. Desse modo, observa-se que as propagandas difundem a ideia de embelezamento, por intermédio da divulgação desenfreada de um modelo estético preestabelecido, sendo que olhos azuis, fisionomia magra e pele clara, são critérios “preferenciais”. Nesse contexto, esse padrão mediado pelos mecanismos tecnológicos potencializa a insatisfação de muitos indivíduos em detrimento do seu corpo, fortificando o desejo de alcançar as proporções corporais exposto pela média.
Em segundo lugar, é preciso pontuar ainda, que o ideário de beleza espanado pela sociedade é outro posicionamento que estabelece a padronização social. Nessa perspectiva, a concepção de Pierre Bourdieu no conceito de “ capital cultural” estabelece que os ativos sociais de uma pessoa promovem a sua ascensão social em uma sociedade estratificada, cabe perfeitamente no panorama de culto a forma individual, designado as pessoas que não se encaixam nesse padrão a buscar mecanismos radicais, como cirúrgicas estéticas e o uso excessivo de pílulas para emagrecer, com o intuito de conseguir inserir-se no meio social. Dessa forma, esses atos abusivos de conduzir o próprio corpo para moldar-se as estruturas sociais exemplifica a problema como déficit social.
Fica evidente, portanto, que o culto pela aparência perfeita desencadeia sérios danos ao convívio social do século XXI, em virtude disso, é primordial soluções mediatas para mitigar a problemática. Para tanto, é imprescindível que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) restrinja a divulgação de propagandas de padrões estéticos abusivos através de políticas de controle de conteúdo, com o intuito de amenizar o comportamento compulsivo de muitos indivíduos frente aos modos de embelezamentos impostos, além de mudar a postura da sociedade em relação ao padrão ideal. Logo, a sociedade esplanada no livro de Bebord não será mais presenciada no século XXI.