O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Direito à saúde mental

A humanidade prega a Era dos Direitos Humanos, porém ao mesmo tempo desconhece a capacidade da mídia e o poder dos meios de comunicação de penetrar na vida de todos. Assim, influenciando mentes e violando até mesmo direitos da população. O padrão de beleza sustentado por revistas, pelo cinema, por novelas e pela própria sociedade, tortura a mente e o corpo, principalmente de meninas e mulheres que lutam para se enquadrar em algo naturalmente inalcançável. Diante dessa perspectiva, cabe analisar o que potencializa a busca por esse padrão, e as consequências do culto à corpos perfeitos no Brasil.

Historicamente o século XIX  representa um momento de grandes avanços para a luta das mulheres, como o direito ao voto, direito a frequentar universidades, igualdade de trabalho e várias outras conquistas. Todavia no século seguinte, a indústria cultural e a mentalidade de consumo, as manteve escravas de um padrão inatingível e de uma insatisfação onipresente. Segundo o filósofo Theodor Adorno “na indústria cultural, tudo se torna negócio, e até mesmo a felicidade do individuo é influenciada por essa cultura, o objetivo é provocar a insatisfação”. Dessa forma, a insatisfação acaba gerando necessidades que fazem com que a indústria cresça ainda mais. Consequentemente, impulsionadas pelo desejo de se sentirem confortáveis consigo mesmas, buscam por soluções - pílulas, sucos, comidas diet, cosméticos, cirurgias plásticas, tratamentos corporais - que nunca as deixarão satisfeitas.

Salienta-se, ainda, que a busca por corpos perfeitos, além do sentimento de insuficiência, resulta em abalos e doenças mentais, como a depressão, problemas de autoestima e em sérios transtornos alimentares que podem levar a morte. Pesquisas feitas pela Dove, registraram que cerca de 83% das mulheres admitem que se sentem pressionadas para alcançarem um padrão que é imposto pela sociedade. Isso demostra o quão grave é essa questão no Brasil, onde mulheres subjugam a capacidade de se sentirem felizes e livres a condição de estarem perto ou não do “formato ideal”.

Infere-se, portanto, que o culto à padronização dos corpos, contribui para deterioração física e mental. Para resolver essa problemática, é preciso que o Ministério da Saúde elabore leis que fiscalizem e regulem os conteúdos transmitidos pela mídia que tenham menção a padrões estéticos, que o governo federal incentive financeiramente palestras e discussões sobre o tema em escolas, para que crianças cresçam com uma mentalidade saudável. Além de preparar psicólogos do SUS para tratarem pacientes que passam por essa situação, a fim de rebater os efeitos da padronização corporal no Brasil.