O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Na perspectiva artística, ao longo do tempo a estética das obras de arte e de esculturas sempre foram mutáveis, na medida em que retratavam o padrão estético almejado pelas pessoas em tais épocas. Nesse viés, hodiernamente, os padrões de beleza idealizados ainda perduram, de modo que traz consequências desastrosas para o indivíduo. Desse modo, analisar a função midiática na imposição de padrões, bem como debater a influência escolar na formação pessoal do indivíduo são fatores essenciais para alterar essa lastimável conjuntura.
A priori, em coadunação com os pensadores da Escola de Frankfurt, a indústria cultural tem por finalidade construir bens de consumo – por meio das grandes mídias – para garantir o controle social. Concomitante a isso, os meios de comunicação, principalmente as redes sociais, disseminam estereótipos visuais impossíveis de serem alcançados pela maioria das pessoas, isso tem como efeito a dificuldade dos indivíduos de autoaceitação com sua aparência. Sob esse âmbito, a indução desse pensamento no corpo social influencia, negativamente, na autoestima do sujeito, de modo que podem culminar em doenças, como a bulimia ou a anorexia, relacionadas a distorção da sua imagem corporal, as quais afetam muito jovens que desejam ser muito magros, pois é um padrão supervalorizado na mídia.
Faz-se mister, ainda, salientar a omissão das instituições de ensino perante os problemas que os jovens enfrentam. Em meio a isso, o pedagogo Paulo Freire defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado – neste caso, o padrão de beleza imposto. Nesse sentido, isso não ocorre nas escolas, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento dos problemas que cercam a sociedade. Diante desse cenário, o bullying usufrui dessa vulnerabilidade, na forma de atacar os outros pela falta de encaixe nos padrões de beleza estabelecidos entre os adolescentes, de certa forma as escolas negligenciam tais ofensas.
Logo, o Governo Federal, como instituição regulamentadora da internet e da propaganda, deve criar medidas que controlem e reduzam a publicidade direcionada, por meio da fiscalização e da criação de leis que exijam a transparência das empresas, com o fito de que os brasileiros sejam menos manipulados pela mídia. Ademais, o Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação civil – inserir, na grade curricular, desde a tenra idade, disciplinas como “Educação Crítica”, por mio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, com o intuito de estimular no sujeito o pensamento de debate e questionamento, promovendo uma educação libertadora, como Paulo Freire propôs.