O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/11/2020

“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Este famoso verso de Vinicius de Moraes resume o pensamento da grande parte da sociedade brasileira visto a exclusão com relação a indivíduos que não se encontram no padrão de beleza imposto pela sociedade. Tal mazela, reflete em mulheres sendo expostas a perigosos tratamentos e cosméticos, também como diversos transtornos alimentares, na busca constante para enquadrar-se no inalcançável modelo estético.

Em primeira análise, existe um constante pensamento da população de que, para ser aceito em seu ambiente de trabalho ou social, é necessário alcançar este padrão. Segundo entrevista feita pelo “Fantástico”, da “Globo”, em outubro de 2019, Cleo Pires pronunciou-se sobre críticas ao seu corpo após seu ganho de peso: “Tinha vergonha de ir para os lugares… Era porque as pessoas estavam falando de mim desse jeito”. Logo, fica claro o efeito do arquétipo de beleza que, através de filmes, revistas e propagandas, excluem indivíduos que se encontram diferentes dos modelos da Mídia, e demonstram que, para não tornar-se vítima de julgamentos, é necessário enquadrar-se na personificação inalcançável de beleza.

Outro aspecto a ser abordado, é o esforço por parte da população para alcançar a referência da perfeição imposta pela sociedade. É certo que atualmente, graças ao avanço da tecnologia e medicina, estão disponíveis inúmeros tratamento e cirurgias que tem o objetivo de tornar os pacientes parte desse modelo de beleza, porém muitas vezes, os mesmos tornam-se imprudentes não consideram a sua saúde e a segurança desses tratamentos, como também sujeitam-se à dispendiosos e arriscados cosméticos, que do mesmo modo, põem sua vida em risco. Ademais, existem pessoas que procuram a solução para seu descontentamento com o corpo em exercícios excessivos e na mudança drástica de sua alimentação, o que resulta em lesões e transtornos alimentares, como vigorexia, bulimia e anorexia, podendo ainda, futuramente desencadear depressão.

Portanto, cabe ao Poder Público proporcionar campanhas publicitárias que apresentam diferentes modelos físicos, contrapondo o padrão exposto pela Mídia, assim como propagandas e entrevistas com artistas que fujam da padronização, e que mostrem ser possível aliar a qualidade de vida com a aceitação das individualidades. Além disso, é indispensável a intervenção da CONAR, com o objetivo de regular propagandas que estimulam a adoção de padrões estéticos com maior rigidez. Assim, se medidas como estas forem tomadas, o padrão de beleza estipulado pela sociedade, não será mais “fundamental”, como no verso de Vinicius de Moraes.