O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 08/11/2020

‘‘A perfeição é a doença da nação’’, disse Beyoncé em sua canção Pretty Hurts, evidenciando assim a tendência social que a supervalorização da imagem superficial da mulher tem em detrimento da sua capacidade de pensar e viver. Destarte, é necessário o debate acerca das causas da problemática, dentre as quais estão a indústria de consumo e a fetichização da estética desenvolvida pela mídia.

Em primeiro lugar, consumir não é propriamente um problema, mas com o desenvolver da sociedade, após a Revolução Industrial, a forma como o consumo se dava sofreu modificações e as pessoas passaram a adquirir desenfreadamente, em busca de uma satisfação temporária. A indústria de cosméticos e dermatológica ganhou força nas últimas décadas, prometendo o alcance de um ideal de vida perfeita, que só existe na propaganda. Dessa forma, a padronização corporal é interessante para a manutenção do modelo consumista, onde o corpo é consumido e é também uma fonte consumidora, como um instrumento de serviço das mídias, exprimindo uma falsa liberdade às pessoas que acabam por serem induzidas a adequarem-se aos modismos para serem aceitas e promovendo a alienação em grande escala.

Em segundo lugar, a mídia, em sua forma escrita e televisiva, prega o poder, honra e beleza por meio de modelos de padrão europeu, que são muito magras e altas. Logo, meninas adolescentes sentem a necessidade de estarem com o corpo de modelo e declaram guerra contra a balança e ficam angustiadas por não possuírem um corpo igual ao de pessoas famosas, já que o ideal de beleza propagado pelo mundo da moda é que as mulheres sejam magras para serem aceitas na sociedade. Essa lógica perversa, faz com que as mulheres busquem a bulimia – ingestão compulsiva de alimentos seguida de vômitos para perder peso - e dietas maléficas sem recomendações médicas, ocasionando a desnutrição e, muitas vezes, a morte.

Diante dos argumentos supracitados, para melhorar a relação das mulheres com o próprio corpo, cabe ao Ministério da Saúde promover uma disseminação por meio de palestras sediadas em escolas públicas, que visem a quebra do estereótipo representado pela mídia que tantas mulheres sofrem para alcançar, bem como regulamentar o conteúdo propagandístico, alertando o cidadão sobre os males que podem ser causados pelo consumismo e pela busca de uma beleza artificial inalcançável. Essas palestras devem ocorrer em trimestres e com a presença de profissionais da área da psicologia que saibam lidar com adolescentes em fase de crescimento. Quem sabe assim, o fim da doença da nação – a perfeição - deixe de ser uma utopia para o Brasil.