O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/11/2020

“Uma cultura fixada na magreza feminina não tem uma obsessão pela beleza, mas uma obsessão pela obediência feminina.”, disse Naomi Wolf em seu livro “O mito da beleza”, sua obra é tida como uma crítica social muito atual, mesmo que seu lançamento tenha sido há trinta anos. Entretanto, é um tema recente na sociedade, pois mesmo com o passar do tempo ainda falharam em mudar essa situação, ainda incapazes de viverem livres de padrões estéticos que são tão nocivos. Diante dessa perspectiva, nos resta analisar os fatos, em favor de mudanças.

Primordialmente, a cultura é um fator importantíssimo no desenvolvimento do ser humano como ser social, seguindo os padrões que a sociedade impõe. Desde o inicio dos tempos, padrões de beleza sempre existiram, sendo parte valiosas de uma vida, uma moeda de troca, a beleza física é a certeza de admiração. Se tratando de mulheres, a beleza sempre foi mais rígida e especifica, as tornando manequins para a sociedade em questão, criando um disparate entre as mulheres que alcançavam esse padrão, e as que estavam longe dele, criando assim uma pressão para se tornarem as mulheres que eram admiradas, sofrendo quando eram incapazes. De acordo com a marca Dove, em sua pesquisa intitulada “A verdade sobre a beleza” , apenas 4% das mulheres brasileiras se consideram bonitas, mostrando o quão tóxico os padrões se tornaram. Os padrões são irreais, impossíveis, e prendem as mulheres de uma forma imperceptível, numa luta sem vencedores, que precisa enfim mudar, para que todas possam vencer.

Ademais, as mídias digitais se tornaram cemitérios de amor próprio, onde as mulheres são diretamente influenciadas pelos padrões que fazem sucesso pelas redes, fazendo com que essas mulheres tentem chegar até esses padrões, que na realidade, sequer existem, elas nunca vão conseguir chegar até eles. Nesse momento, começa o jogo da sociedade, para subjugar as mulheres, onde jovens garotas são expostas e avaliadas, ensinadas sobre seus corpos não sendo o suficiente. Dentro de uma sociedade patriarcal onde já ao nascimento as mulheres são inferiorizadas, os padrões de beleza são a garantia de que o controle continua em mãos masculinas, em um ciclo vicioso da qual precisamos fugir.

Portanto, se torna urgente uma solução para tal situação. Visto que a cultura é um aprendizado, a necessidade de que as escolas abordem o assunto é indispensável, colocando jovens garotas a par desse jogo, para que sejam capaz de vencê-lo no futuro. Colocar o assunto entre as matérias a serem estudadas nas escolas é a solução e um passo caminho para uma sociedade mais igualitária e justa para com as mulheres, que por tanto tendo foram presas a sua aparência física.