O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/11/2020

“As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental”, assim, os versos da poesia “Receita de mulher” de Vinicius de Moraes retratam com clareza a visão de diversas pessoas que acreditam que a beleza é essencial. Dessa forma, muitos se submetem à situações de risco à saúde em prol de uma estética melhor pois pensam que deste modo terão melhores resultados em suas vidas pessoais e profissionais.

É importante pontuar, em princípio, que a padronização do corpo ideal é principalmente produzido pela mídia, como indica Rodrigo Daniel Sanches, doutor em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), “a mídia produz algo que não existe, porque quando não há aquele corpo as pessoas tentam buscá-lo”. Desta maneira, muitas pessoas buscam por um corpo quase inalcançável, assim, de acordo com pesquisas do G1, 72% das mulheres sofrem pressão para ficarem bonitas, sendo que destas, 32% disse vir delas mesmas a pressão, mostrando assim, que mesmo sendo muitas vezes instituído pela mídia, essas pessoas sentem-se obrigadas a se encaixar aos padrões de beleza.

Outro problema relacionado à necessidade da obtenção da beleza são os riscos à saúde, que por passarem dos limites se tornam em doenças ou transtornos, podendo variar entre bulimia, anorexia, entre outros. Sendo assim, de acordo com a Veja, transtornos alimentares como esses atingem mais de 10 milhões de Brasileiros em uma proporção de 10 mulheres a cada homem. Mostrando assim que, apesar de atingir milhares de pessoas, as mais afetadas são as mulheres, principalmente por conta da pressão que a mídia impõem sobre o corpo feminino, além da ideia geral de que a beleza pode proporcionar melhores resultados na vida profissional e pessoal.

Destarte, para se alcançar mudanças significativas no culto ao corpo ideal, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), deveria exigir uma maior representação nos tipos e estilos de corpo apresentados em qualquer tipo de publicidade, diminuindo a necessidade das pessoas de se atingir um padrão, considerando o seu “eu” como belo.