O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/11/2020

“Um feitiço infalível para tornar mais bela que todos os mortais aquela que o pronunciar.” Essa foi a frase que Lúcia leu no livro mágico, e de imediato lhe chamou atenção. Assim como no excerto de As Crônicas de Nárnia, muitas pessoas buscam pela beleza exterior e não medem esforços para alcançá-la, não em livros mágicos, mas em regimes e procedimentos perigosos, influenciadas pela padronização corporal evidenciada  sobretudo nas redes sociais e mídia em geral.

Observando os hábitos alimentares sociedade, é possível afirmar que grande parte dela está constantemente em busca de dietas e regimes alimentares que ajudem a se enquadrar no corpo perfeito. Pois segundo uma pesquisa realizada pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), sete em cada dez brasileiros já fizeram dieta sem consultar um profissional, o que sem dúvida pode acarretar riscos para a saúde, como má nutrição ou intoxicação. Ademais, a obsessão pela perfeição tem provocado doenças como anorexia e bulimia, em casos extremos. Além disso, a procura por procedimentos estéticos invasivos tem crescido muito no Brasil, expondo as pessoas a um risco muitas vezes desnecessário e evitável.

Por outro lado, é importante considerar quais são as motivações dos homens e mulheres que se submetem a esses comportamentos, e quais fatores mais os influenciam. A priori, deve-se observar as redes sociais, como o Instagram, por exemplo. Nele as pessoas postam suas melhores fotos, e as pessoas consideradas mais bonitas ganham mais visibilidade e prestígio, demonstrando que foi construído um padrão de beleza seguindo o conceito de Platão, sendo imutável e ideal, comum para todos os seres. Entretanto, essa exaltação do padrão, acentuado pelo mecanismo de comparação existente nessas mídias, que tem levado a diminuição da autoestima dos que não se consideram dentro do padrão, e até mesmo de quem está nele, para ser cada vez mais belo. Outrossim, essa realidade tende a crescer ainda mais, visto que as redes tem ganhado mais e mais espaço na vida dos usuários, e seus idealizadores usam novas estratégias para prender a atenção nelas.

Portanto, a fim de atenuar os impactos do culto à padronização da beleza, é importante que o ministério da saúde entre em parceria com as mídias sociais para produzir um material de apoio e de desconstrução dessa formatação de beleza, com a representatividade de modelos que não estejam nela, para conscientizar a sociedade que a beleza não é exclusiva de um tipo corporal ou etnia, e assim mais pessoas se sintam bem com sua aparência física e tenham sua saúde preservada. Pois ninguém precisa de um livro mágico para se tornar bonito ou bonita.