O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 13/11/2020
A consequência da busca por padrões de beleza idealizados No hiato correspondente à Grécia Antiga, em Esparta, cidade-estado importante para o mundo grego, as crianças recém-nascidas que possuíam alguma deficiência eram sacrificadas, uma vez que não satisfaziam ao padrão determinado pela necessidade daquele povo. Embora o estabelecimento de comportamentos ideais no Brasil não seja tão arbitrário quanto na sociedade espartana, os reflexos para os excluídos ainda são marcantes e precisam ser analisados. Portanto, urge que medidas sejam tomadas, tendo como objetivo não somente a representação fidedigna das pessoas no comércio de imagem, como também a não contribuição ao desenvolvimento de distúrbios psicológicos na população.
Analogamente, o livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, retrata as ações de um personagem secundário, sendo esse responsável por uma intensa idealização acerca das mulheres. Desse modo, torna-se possível compreender o fato de 98% das mortes que envolvem o processo de lipoaspiração corresponderem ao setor feminino, como afirma um estudo feito pelo dermatologista Érico Pampado, visto que a pressão social em torno dessas para que se encaixem nos padrões de beleza vigentes é constante. Destarte, necessita-se que não só o estabelecimento de parâmetros torne-se uma prática obsoleta, mas também a veneração desses por empresas influentes precisa ser erradicada.
Outrossim, o filme “O mínimo para viver” narra a rotina de adolescentes anoréxicos em uma clínica de reabilitação, fator que revela as consequências dos paradigmas criados pela comunidade. Dessa forma, torna-se acessível entender o estudo publicado na revista “ Nature Genetics”, o qual afirma que o índice de mortalidade entre esses enfermos é maior que entre esquizofrênicos, tal que ressalta a capacidade da mídia em superestimar uma ideia responsável por desestabilizar a saúde de outras pessoas. Logo, reiteram-se os efeitos psicológicos de uma cultura atuante na construção de corpos ideais inalcançáveis e destaca-se a indispensabilidade de novos posicionamentos.
Mediante os argumentos desenvolvidos, faz-se imprescindível que atitudes benéficas sejam tomadas. Por conseguinte, é imperioso que os setores de marketing das multinacionais e o Ministério da Saúde atuem em consonância, no que tange a uma nova formulação de propaganda dos produtos e ao apoio efetivo ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), por meio do contrato de modelos dos mais diversos portes físicos e de programas específicos de apoio a transtornos alimentares, com o intuito de desmistificar a “perfeição” e contribuir para a saúde daqueles já afetados. Assim, o Brasil tornar-se-á uma nação incentivadora da heterogeneidade.