O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/11/2020

A indústria cultural, conceito proposto por Adorno e Horkheimer, tem como características principais a padronização e a produção em massa com o objetivo de manter o pensamento dominante. Dessa forma, na contemporaneidade, é nítida influencia dessa indústria, não apenas nos bens materiais, mas também nos diferentes corpos, o que gera um culto à padronização corporal no Brasil. Isso se deve, principalmente, aos interesses financeiros na indústria da estética, bem como às redes sociais.

Nesse sentido, é fundamental ressaltar indústria da beleza como um fator imprescindível no culto à padronização desnecessária dos corpos. Assim, tal indústria estabelece, constantemente, diferentes padrões, inalcançáveis, para os corpos com um único interesse, o lucro, a partir da venda de produtos e de procedimentos. Desse modo, milhões de mulheres, em especial no Brasil -o país que mais realiza cirurgias plásticas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) -, são vítimas dessa opressão para alcançar um corpo cultuado mas irreal.

Ademais, é de extrema importância salientar o papel das redes sociais na colaboração do culto à padronização corporal no Brasil. Dessa forma, é extremamente comum que influenciadoras digitais, que se enquadram no padrão, propaguem, sob um falso discurso de “autoaceitação”, a prática de diversos procedimentos estéticos, o que influencia, diretamente o público de milhões de seguidores. Portanto, o dado da SBCP, que aponta o crescimento de 141% nos procedimentos estéticos realizados por jovens, ilustra o preocupante cenário do culto à padronização corporal no Brasil.

Logo, cabe ao Estado reduzir a influência da indústria da beleza, por meio de legislações, que incluam uma maior diversidade corporal nas campanhas e propagandas, com o intuito de combater o culto à padronização corporal. Além disso, é função do Conselho Federal de Medicina diminuir o número de processos estéticos realizados por jovens, por meio de regras, como o limite mínimo de idade, com o objetivo de reduzir o prejudicial culto à padronização do corpo.