O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/11/2020
Desde a Antiguidade Clássica, o culto ao belo faz parte da cultura de diferentes sociedades, promovendo o modelo de beleza ideal, ou seja, aquele que combina harmonia, equilíbrio e simetria. Contudo, apesar das transformações do conceito de beleza ao longo dos séculos, o desejo ao corpo perfeito ainda perpetua na contemporaneidade. Nesse sentido, destacam-se as imposições diárias pela mídia, e suas consequências, bem como o incentivo ao consumismo como agravantes da problemática.
Convém salientar, primeiramente, que o estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias, seja em capas de revista, tutoriais na internet ou através das redes sociais, no qual homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal da perfeição. Entretanto, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. Segundo a psicóloga Micheline Villefort, o sentimento desenvolvido é que, fora daqueles padrões, o homem não é saudável, desejado e belo, gerando doenças alimentares e psicológicas. Outrossim, essas padronizações não respeitam biotipos, visto que o corpo humano é multidimensional e plural, levando os indivíduos à procedimentos cirúrgicos e dietas que comprometem a saúde, na tentativa de assemelhar ao padrão.
Por conseguinte, vive-se em uma sociedade capitalista, em que desejos e interesses são produzidos em massa. Para a indústria do consumo, é vantajoso padronizar os gostos, pois, assim, promovem o consumo desenfreado e garantem um lucro satisfatório, além do domínio do mercado perante a concorrência. Mediante propagandas persuasivas e estratégicas, com a assimilação de personalidades famosas, manipulam o pensamento do consumidor a acreditar que necessitam do produto para alcançar a felicidade, plenitude e estar inserido na sociedade e na moda. De acordo com a revista Forbes, o Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, revelando o quanto o setor de beleza é crescente e influente no país.
Diante dos fatos supracitados, a mídia, enquanto formadora de opinião, deve vincular propagandas com atores que identifiquem o telespectador, de modo a criar identificação, e criar slogans como “A nova moda é ser saudável”, visando substituir a busca maléfica pelo ideal corpóreo por práticas saudáveis, enfatizando que a saúde deve ser a prioridade. Por conseguinte, a escola deve levantar questionamentos e debater em sala de aula sobre os estigmas corporais e a importância de aceitar e amar as diferenças. Desse modo, haverá a compreensão de que a singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.