O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/11/2020
Desde o surgimento do Iluminismo, no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, a persistência do culto à padronização corporal aponta que os ideais, pregados por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela vontade de se encaixar nos padrões de beleza e, também, por influência das blogueiras. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que o conceito de beleza se mostra mutável ao longo da história. Na idade média, por exemplo, a mulher que tinha sobrepeso era considerada mais esbelta, por ser um sinal de fartura. Hoje em dia, a definição de beleza se resume a um corpo malhado e definido; assim, para se encaixar nesse molde, o indivíduo procura por procedimentos estéticos. Contudo, essa prática pode ser muito perigosa quando não for realizada com materiais de boa qualidade ou um profissional qualificado, podendo levar a complicações, como no caso da modelo Andressa Urach que ficou entre a vida e a morte após um dos produtos aplicado ser rejeitado pelo seu corpo.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras, se evidencia quando o número de cirurgias plásticas entre adolescentes, segundo a Revista Época, cresceu mais de 140%. Isso se dá devido a influência das blogueiras que passam a imagem de que para ficar bonita e ser desejada, você precisa malhar incansavelmente e consertar cirurgicamente os seus “defeitos”.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do culto a padronização corporal seja imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, destine verbas para a contratação de médicos que serão incumbidos de ministrarem palestras e workshops nas escolas, com o intuito de alertar e informar sobre os perigos que uma cirurgia plástica pode ter. Além disso, o Ministério da Saúde, deve estabelecer que, antes de qualquer cirurgia estética, o paciente menor que 18 anos deve passar por uma avaliação com um psicólogo, para entender se aquele procedimento é desejo próprio ou fruto de uma influência social. Assim, essas medidas levarão a uma diminuição no número de casos cirúrgicos em adolescentes, uma vez que terão suporte e aconselhamento profissional.