O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/11/2020

Na série da Netflix “Insatiable” é mostrado como a imposição social dos padrões de beleza corporal danifica a sanidade dos indivíduos. Em consonância com o seriado, a idealização do corpo é uma problemática que afeta a saúde psicológica da população mundial. Sob tal ótica, é imprescindível combater a existência dessa padronização no Brasil, pois resulta na procura por alternativas perigosas para mudar o corpo e tem seus ideais amplamente disseminados pela mídia.

Em primeira análise, a propagação da concepção do corpo ideal tem sido um entrave perigoso para a saúde dos indivíduos. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, atualmente, o Brasil é o país onde mais se realiza cirurgias plásticas no mundo. Nessa perspectiva, o território nacional tem um grande número de pessoas insatisfeitas com o próprio corpo, as quais se tornam vulneráveis ao desenvolvimento de doenças mentais e procura por modificação corporal. Por esse ângulo, evidencia-se que a população possui uma pressão psicológica para atingir as expectativas de beleza socialmente impostas, pois, acabam por, até mesmo, procurar alternativas perigosas à saúde para alcançar a “perfeição”.

Outrossim, a proporção social que os padrões de beleza são propagados e usufruídos por empresas é outro aspecto alarmante. Na série de ficção “Black Mirror” é retratado como as redes sociais influenciam e controlam o posicionamento dos indivíduos. De maneira análoga com a produção cinematográfica, as mídias facilitam a disseminação de ideais na mentalidade dos indivíduos, isso acaba por se desdobrar na propagação de padrões corporais, pela ação de indústrias da beleza que se utilizam do meio online para alcançar consumidores com mais facilidade. Desse modo, grande parte da população mundial tende a ter a idealização do corpo “perfeito” e as empresas da beleza usufruem disso na venda de seus produtos.

Infere-se, portanto, que, para mitigar a influência dos padrões corporais, é inescusável uma nova postura governamental e midiática. Destarte, o Ministério da Saúde deve combater a disseminação do modelo de beleza ideal e incentivar a aceitação corporal, através de campanhas, a fim de diminuir os danos psicológicos aos indivíduos e a procura por procedimentos estéticos. Ademais, as plataformas online, em parceria com os influenciadores digitais, devem desenvolver uma mudança de mentalidade social, por meio de postagens, com o intuito de incentivar os cidadãos a atenuar a padronização dos corpos. Dessa forma, a comunidade será mais harmoniosa e reduzir-se-á os danos à saúde da população.