O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/11/2020
Após a Segunda Guerra Mundial, diversos combatentes providos de deformidades corporais,ocasionadas pela batalha, tiveram seus rostos e membros remodelados cirurgicamente. Esse cenário deu origem aos procedimentos estéticos, sobretudo as cirurgias plásticas, e à existência de um estereótipo de beleza.Analogamente, no Brasil,seja pela introdução da ditadura da beleza pós- globalização,seja pela possibilidade de ascensão social,o culto à padronização corporal é realidade. Portanto,é imprescindível um debate entre as mídias sociais e a sociedade, a fim de que a toxicidade proliferada com essa prática seja sanada.
A priori, pode-se destacar a ideia de Pierre Bordeau acerca de aquilo que foi criado como instrumento de democracia direta não dever se transformar em mecanismo de opressão simbólica, baseado na conjuntura de que as redes sociais - como o Instagram- financiam produtos e dão suporte às empresas de beleza massivamente.Dessarte, as pessoas utilizadas como manequins - sobretudo os influenciadores digitais - transmitem à sociedade um padrão físico considerado ideal pelas indústrias cosméticas e cirurgiões plásticos. Por conseguinte,o termo “indústria cultural”,utilizado por Theodor Adorno, se torna evidente, à medida que, mediante essa divulgação desmedida de procedimentos estéticos, há a introdução de uma ditadura cultural, isto é, o culto ao corpo ideal.
A posteriori, convém ressaltar a ideia de Joseph Goebbels sobre uma mentira repetida diversas vezes ser considerada uma verdade, visto que essa publicidade repetitiva relacionada ao corpo - como a promoção de atividades físicas em excesso- induz ao público,ciclicamente, o sentimento de necessidade de consumo de produtos,procedimentos e à introdução de hábitos viciosos para ser considerado dentro de um padrão. Além disso, assim como o escritor Romão Ferreira salienta, quando o acesso à educação é defasado, o corpo vira uma possibilidade de evolução social, já que inúmeros jovens do país encontram na submissão à indústria da beleza a possibilidade de serem influenciadores digitais e, assim, ascenderem socialmente.Por consequência, além de essas pessoas não enxergarem na educação uma oportunidade, proliferam,novamente, o culto à padronização corporal .
Diante disso,é evidente o descompasso entre as mídias sociais e a sociedade.Logo, cabe, respectivamente, aos influenciadores digitais, que são os maiores precursores da ditadura da beleza, a criação de propagandas socialmente responsáveis, por meio da consulta de psicólogos, a fim de que a população compreenda a inexistência de um padrão corporal ideal;e ao Legislativo, a criação de uma lei que limite as propagandas estéticas no Brasil, sobretudo as que utilizam de programas de edição e constroem corpos irreais virtualmente. Assim, o país,paulatinamente, será livre dos estereótipos.