O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/12/2020

O princípio da igualdade, do filósofo Clístenes, pressupõe que as pessoas colocadas em situações diferentes sejam tratadas de forma desigual. Nessa conjuntura, verifica-se o culto desenfreado à corpos considerados padrões no Brasil, o qual corrobora com uma busca alienada por alcançá-los, de modo a enfrentar barreiras físicas e psicológicas que muitas vezes estão fora da realidade, por meio do intuito doutrinado de adequar-se à camuflada exigência social de inclusão. Por esse motivo, urge a indispensabilidade da união entre a mídia e os civis para a subversão dessa construção atípica, seja ela provocada pela mídia, seja elaborada por pressão social.

Em primeiro lugar, é digno mencionar a influência esmagadora da mídia diante da massificação do consumo. Para o diretor de cinema Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, os meios de comunicação são apenas um exemplo da manifestação superficial da sociedade dos espectadores: ao elaborar fórmulas e procedimentos estéticos, com a promessa de serem milagrosos, as grandes marcas de produtos de beleza traçam um perfil teoricamente alcançável por todos, valendo-se da confiabilidade dada pelas postagens de divulgalção de influenciadores digitais. Dado o alcance desses indivíduos e ao desconsiderarem a individualidade e necessidade de cada pessoa, consolidarão-se mais vítimas da exposição irresponsável dos moldes veiculados, esses sem precedentes confiáveis.

Somado a isso, a procura por um ideal corpolátrico também é instigado pela esfera social. Consoante a isso, o pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer afirma que a infelicidade nasce do espelhamento na vida do outro. Consequentemente, ao se comparar a um corpo que não atende às suas características físicas, exposto no meio digital e utilizado para atender a fins comerciais - a exemplo de empresas de moda praia e fitness -, o indivíduo interioriza o sentimento de frustração e, dessa forma, pode induzir ao aparecimento de doenças psicológicas como distúrbios alimentares, anorexia e, em casos mais raros, a hipocondria. Assim, constata-se que essa obsessão configura a patologia da modernidade e sobrepõe o sentido narcisístico de embelezamento aos cuidados com a saúde.

Diante desses impasses, é mister que a  união entre os grandes veículos de tecnologia, a exemplo do aplicativo Instagram, ajam em prol da desmistificação desse mal ao usar de conteúdos que propaguem o ideal de equidade e aceitação, por meio da realização de congressos online e lives colaborativas com profissionais da área e famosos da rede supracitada, com o fito de formar cidadãos sábios no assunto e cientes de suas escolhas. Outrossim, o Ministério da Saúde deve fazer um direcionamento de verbas para um controle mais assertivo de doenças nessa área e o encaminhamento às alas específicas de necessidade - psicológica ou psiquiátrica - afim de que o tratamento isonômico grego seja consolidado.