O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/12/2020

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasieliro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reveberado com ênfase na prática quando se observa o culto a padronização corporal no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito tão importante. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da negligência estatal e da pressão da sociedade em confronto com a saúde mental que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o culto midiático frente a padronização corporal.Nesse seguimento,para a OMS(Organização Mundial Saúde),é de suma importância lembrar que em países europeus é proibido a utilização de esteriótipos que levam a prejudicar a saúde mental dos indivíduos. Todavia,no Brasil, o Estado é conivente com a especulação midiática que incentiva inúmeros procedimentos de mudança corporal. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Lock, configura-se como uma violação do “Contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito à saúde mental. Dessarte, é necessário que o Estado modifique essa conjuntura.

Faz-se mister, ainda, salientar a pressão da sociedade brasileira para a padronização do corpo. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas em consonância com a padronização das relações são características da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é fulcral evidenciar, analogicamente, que o livro “1984” ,do escritor britânico George Orwell, retrata uma sociedade baseada na padronização dos corpos e, consequentimente, da mente, tornando-se uma sociedade autoritária. Trazendo para o hodierno, é indipensável possuir uma consciência crítica que respeite a diversidade e a livre escolha , pautada na Constituição Cidadã. Ademais, torna-se evidente a adequação desse cenário.

Infere-se, dessa maneira, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a consolidação de um mundo melhor. Portanto, algo precisa ser feito para amenizar a padronização corporal. Logo, o Estado, por meio do Ministério da Saúde, orgão responsável por gerir a promoção do bem-estar brasileiro, deve instituir um fundo de combate a padronixação corporal, com o intuito de promover palestras de autoconhecimento da população brasielira, além de construir centros de consulta com psicólogos. Nesse sentido, o fito de tal ação é proporcionar o autoconhecimento e a diminuição de procedimentos estéticos. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o pensador, " Na mudança do presente a gente molda o futuro".