O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o culto à padronização corporal do Brasil apresenta barreiras, como qual dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas públicas, quanto da má influência midiática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, um fim do funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o avanço de transtornos alimentares pela busca do corpo perfeito deriva da baixa atuação dos governos, no que se refere à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. O Poder Público não serve a população com ações, planos e metas que dêem segurança ao expor suas vidas com procedimentos cirúrgicos arriscados e dietas que comprometem a saúde e a impeça que o estigma do corpo ideal domine a mentalidade social. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar que a má influência midiática como promotora do problema.Consoante o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em opressão.Partindo desse pressuposto, sabe-se que a mídia tem um poder influente nas representações sociais também sendo uma aliada do sistema capitalista e, já que, para a indústria a padronização é consequência do consumo desregulado e é isso que essa metodologia sustenta, tornando assim um padrão de beleza inalcançável, dado que ele não comporta a pluralidade do corpo humano e resulta em uma sociedade frustrada por alcançar nunca o que lhe é imposto. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que má influência midiática contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o desenvolvimento da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o avanço de transtornos alimentares pela busca do corpo perfeito, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério de Educação, será revertido em disciplina na grade curricular e projetos, que através das instituições acadêmicas haverá aulas com questionamento e debate dos estigmas corporais atuando junto com a mídia, enquanto formadora de opinião trazendo assim reflexões aprofundadas sobre o tema. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos transtornos alimentares pela busca do corpo perfeito, ea coletividade alcançará a Utopia de More.