O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 10/01/2021

O filme “O Mínimo para Viver”, da plataforma digital Netflix, retrata a jovem Ellen que é portadora de transtornos alimentares e, infelizmente, deve ser internada para não ocorrer o risco do óbito. Analogamente, no cenário brasileiro, observa-se, uma semelhante situação no que se refere ao culto à padronização corporal. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da pressão estética enraizada na sociedade e a má influência midiática.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a pressão estética. Conforme o filósofo Nietzsche, os indíviduos possuem tendência de reproduzir hábitos e costumes da maioria, para se sentirem aceitos em determinado grupo. Dessa maneira, infere-se que a propagação de um ideal corporal no Brasil é realizado desde 1500, no Brasil Colônia, quando os portugueses impuseram um padrão eurocêntrico de beleza aos nativos. Entretanto, esse modelo imposto é problemático, visto que cada pessoa nasce com características diferentes, por causa disso, existe um esforço doentio e compulsório para alcançar o exemplo, que pode acarretar o desenvolvimento de trantornos alimentares. Desse modo, tem-se como consequência, segundo a psicóloga clínica analista Marina Oliveira, o aumento do estresse, a deficiência de vitaminas, o isolamento social,  no que tange ao culto à padronização corporal.

Além disso, vale ressaltar a má influência midiática. A Indústria cultural, um termo concebido pelos teóricos da escola de Frankfurt, significa que a cultura popular é semelhante a uma fábrica que produz bens culturais padronizados. De maneira análoga, a mídia brasileira atua como uma indústria, formando ideais sobre o corpo, esses padrões são tão rígidos e malvados, que até a atriz brasileira, Bruna Marquezine recebeu mensagens de ódio na internet por estar, segundo internautas, magra demais. Em virtude disso, há, como consequência, uma porcentagem de 83% de mulheres que se sentem pressionadas esteticamente, conforme a pesquisa “Há uma beleza nada convencional” realizada pela dove e, devido a isso, podem tomar decisões maléficas para si mesmas.

Portanto, percebe-se, que o culto à padronização corporal no Brasil enfrenta barreiras preocupantes no país. Para amenizar essa situaçao, é interessante que o Ministério da Educação, atue na criação de palestras sobre os maléficios da pressão estética, em escolas públicas e particulares, com especialistas de sáude. Isso deve ser realizado por meio do redirecionamento de verbas que garantam profissionais de qualidade e a efetivazão das reuniões, a exemplo de diminuir a quantidade de indivíduos que sofrem de transtornos alimentares. O objetivo desse feito é garantir uma melhor qualidade de vida para as futuras gerações. Ademais, a mídia televisiva deve ser imparcial sobre a opinião de corpos alheios. Somente assim, o filme  “O Mínimo para Viver” não será mais realidade no Brasil.