O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 14/01/2021
O quadro “As duas Fridas”, da pintora Frida Kahlo, a retrata duas vezes, sendo uma com roupas caras e postura ereta, porém com o coração partido e a outra com roupas simples aparentando está mais feliz e com o coração intacto. Analogamente, essa obra pode representar os efeitos da imposição de padrões corporais na sociedade brasileira, visto que muitas pessoas, para se encaixarem a eles, abrem mão de sua felicidade e de sua saúde, encontrando-se tristes por dentro como a primeira Frida.
Isso porque, dede a Grécia Antiga acreditam que a beleza era uma dádiva divina, julgavam as pessoas pela aparência, uma vez que um corpo bonito era a prova de uma mente brilhante. Apesar de todo o avanço da sociedade, esses ideais ainda perpetuam por meio de estereótipos, os quais são mostrados para as pessoas as fazendo acreditarem que precisam segui-los para serem aceitos socialmente. No entanto, não tem limites, visto que, para alcançar o corpo perfeito, muitos indivíduos acabam machucando eles mesmos. O que pode ser observado no filme “O mínimo para viver”, o qual conta a história de uma menina, a qual, por buscar essa beleza inatingível, desenvolveu distúrbios alimentares graves que quase a levaram à morte, representando, portanto, a realidade de grande parte da população.
Além disso, é necessário destacar o poder dos meios de comunicação na imposição de padrões estéticos. Isso porque diversos influenciadores digitais compartilham estilos de vidas e aparências sem defeitos, os quais, muitas vezes, estão submetidos a efeitos e edições. Fazendo, com isso, as pessoas tentarem alcançar esse ideal, aderindo medicamentos que prometem milagres - como emagrecer extremamente rápido - e dietas restritivas, por exemplo, fatores que causam diversos danos à saúde física e mental, como a bulimia e a depressão. Ademais, as redes sociais são repletas de julgamentos, os quais criticam independente de como as pessoas se encontram, estando magras ou gordas, diminuido mais a autoestima e influenciando na busca por um corpo inexistente.
Percebe-se, pois, que, como disse Beyoncé em sua música “Prettey Hurts”, a beleza machuca. Devido a isso, o governo, por meio do Ministério da Saúde e da Educação, deveria criar projetos, com trabalhos em grupos e palestras com psicólogos, a fim de discutir sobre a problemática do culto à beleza e suas consequências, aconselhando os jovens e seus familiares a terem cuidado com o que posta e com as postagens sobre esses assuntos, para mostrar que muitas não são verdadeiras e que o importante é ter amor próprio. Além de divulgar esses projetos na mídia, falando sobre a importância de cuidar da saúde e de procurar ajuda em casos de distúrbios alimentares. Dessa forma, existiriam mais pessoas como a segunda Frida, feliz e sem se preocupar em seguir padrões estéticos.