O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/03/2021
Por toda a história da humanidade foram criadas e difundidas representações de padrões de beleza, sejam por meio de esculturas, pinturas, ou até mesmo músicas. No entanto, é notável como a influência de tais padrões pode ser prejudicial para os que não neles se encaixam, além da irrealidade de muitos deles. Nesse contexto, torna-se explícito o sofrimento causado às pessoas que destoam dos parâmetros adotados pela população, bem como a imensa volatilidade dos mesmos.
O livro “Extraordinário” retrata os desafios pelos quais Auggie, um garoto de 10 anos que possui uma deformação facial, passa para ser incluso na sociedade tendo uma aparência diferente da usual, denunciando a forma precária como pessoas tais quais ele são tratadas. Ademais, o autor descreve como o menino é diversas vezes segregado e discriminado, situação vivida por grande parte dos indivíduos que fogem dos padrões. Assim, é evidente que medidas devem ser tomadas para que a população em sua integralidade seja aceita em todos os círculos sociais.
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo contemporâneo é líquido, por isso nada dura e é dificílimo criar relações concretas. É, pois, possível intuir que os padrões de beleza sofram da mesma condição, já que se modificam com grande frequência, o que inutiliza ainda mais a busca por um corpo perfeito. Ainda assim, há um grande número de pessoas que sacrificam sua saúde a fim de alcançar uma meta efêmera por pura falta de instrução. Por isso, deve ser democratizado o acesso a médicos nutricionistas e psicólogos, os quais priorizarão o bem-estar e a autoestima de seus pacientes em detrimento de suas aparências.
Portanto, é mister que o governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde, tome medidas que não somente desencorajem a procura desmedida por procedimentos estéticos, mas também incentivem o amor próprio, criando campanhas e fazendo investimentos na infraestrutura e na formação de funcionários das alas psicológicas e nutricionais dos hospitais públicos, a fim de otimizar seus serviços, reduzindo a importância das aparências por parte dos pacientes. Ademais, devem ser criadas matérias nas escolas de ensino básico que tratem especificamente da aceitação e respeito ao próximo, evitando, dessa forma, a exclusão de certos grupos de pessoas. Feito isso, aceitar-se-ia os indivíduos “extraordinários”, e resolver-se-ia um dos maiores problemas de nosso país.