O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/03/2021
Na música “Mrs. Potato Head” da cantora Melanie Martinez, a personagem aparece assistindo diversos comerciais de televisão no qual uma mulher ingere pílulas e emagrece instantaneamente e em seguida passa por diversos procedimentos estéticos em uma inalcançável busca pela perfeição, a música se trata de uma forte crítica à ditadura da beleza e trás uma séria reflexão sobre o quanto a aparência está sendo valorizada a mais do que a saúde. De maneira análoga, o problema que envolve a questão da cultura da magreza e dietas perigosas mostra-se lamentável. Esse imbróglio social ocorre devido a má influência midiática, como também a falta de educação nutricional.
Nesse sentido, é preciso considerar o padrão de beleza inatingível rotulado pelos meios de comunicação social, pois os indíviduos estão cada vez mais alienados a assemelhar-se a figuras públicas. Outrossim, algumas influenciadoras digitais realizam diversos procedimentos estéticos e contrapõe tal ato, impondo a idealização de um corpo perfeito. Semelhantemente, a blogueira Bianca Andrade, revoltou seus seguidores após o vazamento de um vídeo em que ela aparece confessando que fez lipoaspiração (uma cirurgia para retirar o excesso de gordura no corpo), totalmente contraditório já que Bianca sempre garantiu ter conquistado seu “corpo dos sonhos” à custa de dietas rigorosas e exercícios físicos. Por conseguinte, essa postura influencia diretamente na busca por um modelo corporal magro socialmente idolatrado.
Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre a ausência de instruções acerca de dietas perigosas, tendo em vista que o objetivo de perder peso se transformou numa obsessão para muitas pessoas causando distúrbios alimentares. Do mesmo modo, como defende uma pesquisa realizada pela Revista Médica do Chile, a conduta em busca de um corpo magro, com intenso controle e restrição alimentar severa, é o fator mais significativo e altamente sensível, para confirmar um quadro de anorexia ou bulimia nervosas. Desse modo, não buscar orientação de um profissional pode causar graves complicações à saúde.
É imprescindível, portanto, alternativas para solucionar esse impasse. Para tal, o poder midiático deve, por meio de propagandas de televisão, desconstruir os esteriótipos rotulados e esclarecer sobre o risco de cirugias estéticas e remédios para emagrecer, a fim de trazer representatividade e conhecimento para toda a população. Ademais, os influentes digitais podem, em seu discurso, reforçar a necessidade de um acompanhamento médico antes de seguir dietas perigosas, com o fito de promover mais informações sobre saúde e estética. Somente assim, os riscos em busca de corpos esteriótipados serão combatidos.