O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/03/2021

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o culto à padronização corporal no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse imbróglio social ocorre devido a influência das redes sociais, como também a pressão estética da sociedade.

Nesse sentido, é preciso considerar a influência das redes sociais, visto que, a internet é uma grande via de informações, na maioria das vezes, informações equivocadas sobre dietas chamadas de “milagrosas” que apresentam altos riscos à saúde. Isso se evidencia pelo perfil na rede “instagram” da Gabriela Pugliese, blogueira que angariou mais de um milhão de seguidores passando dicas de sua própria dieta. Por conseguinte, a intensa visualização faz com que, cada vez mais, pessoas com o “corpo perfeito” assumam a posição de influenciadores da alimentação. Tal contexto é inaceitável, visto que prejudica a sociedade e fere os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre a pressão estética da sociedade, tendo em vista que, a população sempre impõe a que a magreza está relacionada a perfeição, e que gordura significa descuido ou doenças. Dessa forma, muitas mulheres buscam seguir dietas perigosas para alcançar seus objetivos rapidamente, ocasionando sérios problemas à saúde, como a anorexia nervosa, depressão e a bulimia. Nessa perspectiva, faz-se necessário que a pessoa saiba o seu limite para que tal objetivo não vire uma obsessão.

Depreende-se, portanto, ao considerar que o culto à padronização corporal no Brasil é um grande problema social, deve ser revertido. Para tal, o Ministério da Saúde, aliado as escolas públicas, que emergem como uma instituição fundamental para a constituição do indivíduo, devem promover campanhas educativas acerca do padrão de beleza inadequadamente consumido, por meio de palestras abertas ao público, com o objetivo de minimizar os impactos gerados pela pressão estética. Quem sabe, assim, o fim desses malefícios deixem de ser uma utopia para o Brasil.