O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/04/2021
Ditadura de beleza
Desde sua criação em 1959, a boneca Barbie passou a ser vista como um reflexo do corpo ideal para as mulheres da época, implantando uma ‘ditadura de beleza inatingível’, pois é biologicamente impossível uma pessoa possuir as características padronizadas da boneca de plástico. Através de tal ótica, é possível notar que o culto à padronização corporal no Brasil e no mundo é construído socialmente com o apoio tanto da mídia quanto da indústria da moda.
Em primeira análise, é inegável o papel da mídia na construção social do corpo perfeito tanto para o homem quanto para a mulher. A ideia de Indústria Cultural, teorizada pelo filósofo alemão Theodor Adorno, sintetiza a alienação na produção de conteúdo da cultura de massa a fim de obter a homogeneização da sociedade e aniquilar o pensamento crítico e autônomo. Nesse sentido, a indústria capitalista usa de discursos nerolinguísticos na intenção de massificar o mercado, como a pluralidade de produtos que uniformizam a estética e a forma física padrão, tais como o uso de remédios, anabolizantes, vitaminas diet, light ou zero, cosméticos e cirurgias plásticas, trazendo riscos à saúde física, psíquica e emocional da sociedade brasileira.
Outrossim, é válido analisar a indústria midiática da moda, que exige um padrão corporal irreal, semelhante ao corpo de plástico de uma boneca. A renomada canção “Pretty Hurts”, da cantora Beyoncé, reflete, de modo real e caótico, a realidade de modelos que torturam o próprio corpo a fim de se encaixarem nos padrões da indústria de modelos. Nesse sentido, no vídeo clipe, Beyoncé faz menções a transtornos alimentares como anorexia, bulimia e vigorexia a fim de elucidar a real situação do mundo da moda e mostrar, como a própria letra explica, que a perfeição é a doença da nação.
Desse modo, urge que medidas devem ser tomadas para descontruir os parâmetros sociais que influenciam no culto à padronização corporal, Para tanto, cabe às instituições de ensino consolidarem os ideais de pluralidade de beleza e autoaceitação por meio de palestras, debates públicos e campanhas na internet e nas ruas, a fim de conscientizar o maior número de pessoas. Paralelamente, a indústria comercial deve desenvolver projetos assertivos de propagação da diversidade estética, assim como a nova linha de bonecas “Barbie Fashionistas”, que exploram a pluralidade corporal, cultural e social de seus principais consumidores, a fim de incitar o autodesenvolvimento desde a infância. Destarte, somente assim o Brasil garantirá, a longo prazo, uma nova geração livre de padrões inatingíveis e entenderá o verdadeiro significado de beleza.