O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/04/2021
´´ No meio do caminho tinha uma pedra´´. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual, já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, o culto à padronização corporal funciona como uma ‘‘pedra’’ que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Esse cenário de iniquidade é fruto principalmente da inoperância estatal e da omissão midiática. Logo, faz-se necessário debater essa problemática a fim de mitigá-la.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que o Artigo 6° da Constituição de 1988, garante a saúde aos cidadãos. No entanto, o que se nota na contemporaneidade é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange as consequêcias causadas pela busca obsessiva por um corpo que esteja dentro dos padrões estéticos. Segundo o site Emais, a busca pelo corpo perfeito pode desencadear transtornos alimentares como anorexia e bulimia, causando nos indivíduos fraqueza, osteoporose precoce, baixa pressão arterial e, em situações de extrema gravidade, pode levar ao óbito. Sendo assim, fica evidente a necessidade de medidas para a efetivação do Artigo 6º, visto que é notória as consequências que a busca pelo ‘‘corpo padrão’’ pode causar na saúde.
Ademais, ressalta-se que a mídia ao não abordar sobre o tema colabora para a persistência dessa conjuntura. Dessa maneira, de acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, alguns veículos de comunicação têm contribuído para a formação de uma sociedade com baixa capacidade reflexiva. Nesse sentido, a desinformação sobre a temática da padronização corporal e suas implicações mantém os cidadãos em uma visão individualista, na qual minimizam os transtronos alimentares sofrido por alguns indivíduos. Logo, a realidade torna a teoria dos sociólogos atemporal, porque a mídia ao não propagar campanhas sociais sobre o tema faz com que os indivíduos não se conscientize.
Portanto, é imprescindível mudanças para a construção de uma sociedade harmônica. Desse modo, cabe ao Estado, órgão responsável por manter a ordem social, designar verbas para os tratamentos de transtornos alimentares, como também estabelecer campanhas socioeducativas a respeito da importância da atenção as consequências da padronização corporal, por meio da mídia, principal difusora de informação. Com isso, essas atitudes serão tomadas com a finalidade de solucionar a questão do culto à padronização corporal no Brasil e, assim, fazer valer o Artigo 6º.