O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/04/2021
Por meio da narrativa grega é possível denotar que o mito da beleza foi originado a partir da competição entre várias divindades do período, as quais explicitaram que ser bela era o maior poder que uma mulher poderia possuir. Contudo, essa persistência de almejar ser cada vez mais graciosa não ficou restrita apenas à concepção dessa cultura, já que se difundiu na contemporaneidade, sobretudo na sociedade brasileira, visto que há coerções sociais sobre as mulheres para que se integrem ao tão desejado padrão de beleza, além de haver completa banalização quanto os riscos que elas podem, iminentemente, sofrer para alcançar tal resultado.
Notoriamente, as pressões sociais para o alcance do corpo perfeito estimula, vigorosamente, que a comunidade feminina se submeta a várias maneiras de colocar em prática a teoria da boniteza. Nesse sentido, esse tipo de coerção pode ser explicado por meio do conceito sociológico “Fato Social”, pertencente ao pensador francês Émile Durkheim, cuja ideia está direcionada ao conjunto de hábitos praticados, corriqueiramente, em uma cultura, a qual, devido as suas imposições, influencia que as pessoas se adequam a um padrão inconscientemente. Diante desse contexto, evidencia-se que, implicitamente, os fatores comportamentais predominantes na sociedade incentiva, por meio de uma consciência coletiva exigente, que os indivíduos se moldem a um determinado estereótipo legitimado.
Paralelamente a isso, é válido ressaltar que por causa da influência social para se integrarem no arquétipo de referência que as mulheres necessariamente buscam, torna-se visível a banalização completa da própria saúde e bem-estar no que diz respeito aos iminentes riscos que poderá sofrer. Sob essa visão, é possível, por meio do âmbito cinematográfico, trazer ao plano realístico uma reflexão que o filme “Linda de Morrer” revela ao telespectador, uma vez que Paula, protagonista da obra, obstinada a se tornar mais bonita em virtude do resultado de seu próprio medicamento, acaba falecendo devido ao efeito colateral gerado pela aplicação de seu produto. Desse modo, observa-se que a determinação para atingir o próprio objetivo faz com que todos os riscos dos procedimentos se tornem vulgar, uma vez que o imprescindível é somente alcançar o efeito desejado.
Portanto. Note-se que a imposição de ser bonita evidencia um sério problema referente à qualidade de saúde das mulheres. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com movimentos de causas sociais veicule nas mídias digitais campanhas publicitárias que possam explicitar, tanto por meio do olhar clínico médico quanto à visão simbólica feminina, como consequências que a falta de cautela pode infligir sobre uma tentativa de atingir esse padrão. Dessa maneira, esse público poderá estar resguardado da falta de prudência que a pressão social faz para alcançar a plena graciosidade.