O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/05/2021

A constituição federal de 1998, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Contanto, tal perrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o culto à padronização corporal no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importate. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater todo esse preconceito estético presente no país. Nesse sentido, o esforço prestado pelo governo no combate à essa ideologia pelo corpo perfeito não é suficiente. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadões desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a indiferença e banalização como impulsionador do agravamento de diversos distúrbios alimentares. A “Atitude de Blasé”- termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life”- ocore quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Dessa forma, tal pensamento cabe perfeitamente em casos onde a família desdenha os problemas sofridos por suas crianças por conta de desinformação ou banalização, agravando o problema e tornando-o mais difícil de ser tratado.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da saúde, desenvolva e aplique palestras em escolas, locais públicos e em meios midiáticos a fim de acabar com o preconceito em relação aos corpos que não são vistos como modelo ideal e aplicar monitoramento de alunos a fim de encontrar sinais de estágios iniciais de distúrbios alimentares que são mais decorrentes como a anorexia, bulimia e vigorexia. E portanto, ajudando os pais dessas crianças a se situarem sobre o assunto, entendendo a gravidade dele. Assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade onde o Estado desemprenha corretamente seu “Contrato Social”, tal como afirma John Locke.