O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/05/2021
O filme “Sexy por Acidente” retrata a pressão por corpos “perfeitos”, ele também enfatiza como a comparação com influencers, celebridades e capas de revista pode provocar ainda mais insegurança nas mulheres. Infelizmente, não é só na ficção que mulheres se tornam inseguras com sua aparência. Pois, na sociedade sempre existiu uma exaltação ao que se é considerado belo. Sobretudo, essa exaltação do belo, gera para as pessoas um desejo e a necessidade de ter um corpo irreal, considerado padrão. Com isso, por essa obsessão nada saudável, muitas pessoas acabam colocando sua saúde em risco. Desse modo, fica claro que a sociedade deve ter uma ressignificação do que se é considerado bonito.
Segundo Naomi Wolf, escritora do livro “O mito da beleza”, o padrão imposto pela sociedade não está adoecendo as mulheres apenas sob o aspecto físico, mas também sob o mental. A autoestima é considerada um importante indicador de saúde mental, por interferir nas condições afetivas, sociais e psicológicas do indivíduo. Muitas pessoas acabam desenvolvendo baixa autoestima por não se encaixarem no padrão de beleza. E por consequência acabam adquirindo transtornos relacionados à distorção da imagem corporal. Em uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi relatado, que cerca de 4,7% dos brasileiros sofrem de distúrbios alimentares, no entanto, na adolescência, esse índice chega até a 10%.
Como já dito antes, na sociedade sempre o belo foi exaltado. Ou seja, sempre teve uma padronização do considerado ideal. Por exemplo, no período renascentista para os greco-romanos, o padrão era ser gordo, pois, a obesidade representava status, riqueza e ostentação. Atualmente, no Brasil o corpo mais desejado é aquele que tenha cintura fina, quadris largos, seios fartos e barrigas tanquinho. Porém, o Brasil é um país que possui mulheres com variados biótipos de corpos. E muitas que não se encaixam nesse padrão arriscam suas vidas com procedimentos estéticos, para alcançar a aparência desejada. Segundo o levantamento feito pela Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética, em 2018, o Brasil realizou 1.498.327 cirurgias estéticas (87,4% dos pacientes eram mulheres). Em 2020 a cantora Fernanda Rodrigues, morreu por realizar uma hidrolipo (procedimento estético).
Logo, com o intuito de modificar o padrão estético estabelecido pela sociedade e assim ajudar na saúde e autoestima das mulheres brasileiras, marcas influentes no Brasil como Marisa e Havaianas, através da campanha “Corpo livre” irão usar modelos com corpos diversificados e reais em suas propagandas. Para que todas as mulheres se sintam representadas e consequentemente bonitas do jeito que são.